Museu do Tietê: História de onze anos de existência e meio milhão de visitantes, por Vitor Cezar Maniero

30/05/2011 às 17:01 | Publicado em PET - Serviços Oferecidos | Deixe um comentário
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Em 26 de agosto de1997, a Superintendência do DAEE publicou a Portaria DAEE-458 de 25 de agosto de 1997, instituindo o “Projeto Cultura e Cidadania”, a ser desenvolvido no Parque Ecológico do Tietê, visando uma série de ações no sentido de implementar espaços e atividades culturais, produção de conhecimento, lazer e entretenimento que contribuíssem para a sociabilidade e o lazer da população da região.

A partir dessa publicação, os trabalhos foram iniciados e uma das primeiras ações culturais implementadas foi a montagem de uma Biblioteca, consolidando nas dependências do Bloco B, do Centro de Lazer de Engenheiro Goulart, um espaço de pesquisas, estudos e leituras de uma forma geral.

O acervo bibliográfico foi composto por obras doadas pelo público em geral, editoras, órgãos oficiais e aquisições efetuadas em sebos, versando sobre assunto dos mais diversos, mas com maior ênfase em relação às questões ambientais.     

Paralelamente, à Biblioteca, foram também desencadeadas ações para implementação de uma Oficina Cultural, que se intitulou de Arte e Reflexão à Natureza, ocupando o espaço físico do Bloco C.

A criação da Oficina Cultural motivou a idealização do projeto pedagógico “Lama de Luz e Magia”, que visava desenvolver uma proposta teatral de educação ambiental, tendo como eixo temático o Rio Tietê. Em forma de teatro interativo eram apresentadas ao público estudantil, integrantes do ensino de 1º grau, uma série de atividades lúdicas numa apresentação em que os estudantes integrados ao contexto da peça participavam da história de um rio poluído pela ação predatória do homem (e é claro que se tratava do Rio Tietê), que se tornou insensível a natureza, razão pela qual a denominação “Lama de Luz e Magia”: Lama na medida em que o atual estado do rio leva-nos a concebê-lo como algo destruído, sem vida alheio à nossa história; Luz, a tomada de consciência sobre a necessidade deste rio se revitalizar: Magia, simbolizando a transformação forjada pela iniciativa da comunidade, do poder público, da sociedade enfim. Este projeto foi desenvolvido durante os anos de1998 a 2006, e as atividades foram interrompidas em 2007, devido à paralisação do Contrato firmado com a Frente de Trabalho do Governo do Estado, que colaboravam na Montagem desse espetáculo. 

Concomitantemente, ao desenvolvimento dessas iniciativas culturais, e responsáveis que éramos pela coordenação das tarefas de operacionalização do Projeto Cultura e Cidadania, fomos chamados pelo Superintendente do DAEE, naquela época, Engenheiro José Bernardo Ortiz, questionando-nos sobre a institucionalização do Museu do Tietê, pois sua preocupação era resgatar a história do mais importante rio do Estado de São Paulo, através da criação de um espaço pedagógico significativo no Parque Ecológico do Tietê para a compreensão do nosso passado histórico e da sua preservação.

Esclarecemos, ao Superintendente, que a institucionalização do Museu do Tietê fazia parte do rol das atribuições do Projeto Cultura e Cidadania, (Autos DAEE 46.810 fls. 06), todavia constituia-se na missão mais complexa a ser atingida, pois envolvia uma série de obstáculos que demandavam ações de especificidades técnicas, administrativas, financeiras e operacionais, difíceis de serem concretizadas em curto prazo.

Enfatizou, porém o Superintendente, que não media esforços para tornar o Museu do Tietê uma realidade institucional, colocando à disposição da equipe responsável todos os recursos necessários para a viabilização do espaço físico necessário, e concretização de imediato da proposta museológica que demonstrasse a importância do rio Tietê para a história de São Paulo, como via de navegação, fonte de energia, além de suas atuais condições ambientais.

Em suma, o projeto do Museu do Tietê tornou-se uma realidade e o cumprimento deste desafio coube a uma equipe técnica coordenada pelo Engenheiro Clóvis R. Da Cunha, Chefe de Gabinete do DAEE naquela época e formada pelo historiógrafo Fausto Henrique Gomes Nogueira, o pedagogo Vitor Cezar Maniero, a fotógrafa Vera Viscardi e a arquiteta urbanista Fabiana Z. Azevedo; além de uma equipe de arquitetos dirigida pela arquiteta Herle da Costa Bezerra, encarregados da nova sede do Museu.

O desenvolvimento do projeto teve o seu início em março de 1999, perdurando a execução até o dia 22 de setembro de 1999, quando o Museu do Tietê foi inaugurado na sua 1ª fase, ocupando as dependências do prédio do Casarão, cujos assuntos pertinentes à história do rio foram explorados em salas temáticas.

A partir dessa inauguração prosseguiram os trabalhos de pesquisa e operacionalização, e o Museu foi inaugurado definitivamente numa 2ª etapa, em 22 de março de 2000, já ocupando o prédio sede, recém construído para este fim, e denominado no ato desta inauguração de Edifício Governador André Franco Montoro. A inauguração do Museu contou com a presença do Exmo. Sr. Vice- Governador do Estado de São Paulo, Geraldo José Alckmin Filho, e do Secretário de Estado de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Antonio Carlos de Mendes Thame, que juntamente com o Superintendente do DAEE, Engenheiro José Bernardo Ortiz descerraram as placas de inauguração.

Visitar hoje o Museu do Tietê representa uma oportunidade de inserção num rio repleto de histórias e que possui uma importância fundamental para o Estado de São Paulo. Nessa viagem os visitantes poderão conhecer a nascente do rio, a cidade histórica de Porto Feliz, palco das Monções, assim como vivenciar uma série de situações fundamentais sobre este rio que já foi arena dos esportes náuticos, pescarias e um dos principais locais de lazer da cidade de São Paulo.

Vivenciar, ainda, a cultura indígena, etimologia das palavras Anhembi e Tietê, fundação de São Paulo, lendas, expedição de Langsdorff, travessia de São Paulo a nado (1924-1944), Ponte grande e inauguração da ponte das Bandeiras em 25 de janeiro de1942, a embarcação de regatas “Double Skif de l937, a Draga Holandesa” Menina” de1950, que atuou nos trabalhos de retificação e desassoreamento na extensão da Penha à confluência do Rio Tamanduateí, plantas aerofotogramétricas do projeto de retificação do rio em 1930, enchentes ao longo das décadas, radar metereológico, usinas de energia, barragens de contensão, movimentos de defesa ecológica do rio, obras de artistas plásticos sobre a temática Tietê, poemas e fototelas de autores consagrados, poluição ambiental, reciclagem, panorama da história postal do Tietê, exposição filatélica e etc.

Posteriormente, à criação da Biblioteca, da Oficina Cultural e do Museu do Tietê, o Superintendente do DAEE, o Engº José Bernardo Ortiz, através de Portaria nº. 908 de 26 de novembro de 1999 criou o Centro Cultural do Rio Tietê, a fim de congregar estas Unidades Culturais, em torno de um único objetivo: a divulgação de projetos pedagógicos do DAEE alusivos a este rio e a sua proteção. A criação do Centro Cultural do Rio Tietê foi reiterada pela Portaria DAEE 2279, de 30 de outubro de 2009, ocasião em que a Biblioteca foi transferida do Bloco B para as dependências do Edifício André Franco Montoro, agregando-se ao Museu do Tietê.

Decorridos onze anos após a inauguração do Museu do Tietê, consultando os livros de registro de seus visitantes e a catraca instituída por ocasião da ampliação do prédio sede em abril de 2005, obtivemos um número na ordem de meio milhão de visitantes até a presente data. Responsáveis que fomos pelos trabalhos de implantação no passado e à frente da coordenação de suas atividades no presente, orgulhamo-nos da obtenção desse montante significativo, pois consolida desta forma que o Museu do Tietê vem contribuindo efetivamente no processo de integração social e cultural da comunidade e a propagação de espírito preservacionista do rio Tietê.

A comemoração da presença de 500.000 (quinhentos mil) visitantes é motivo de agradecimento a equipe de servidores do DAEE, lotados no Parque Ecológico do Tietê, que atuam no Museu do Tietê e que nestes onze anos de sua existência vem atuando com responsabilidade, perseverança e dedicação às tarefas que lhes foram confiadas, numa jornada de trabalho, ininterrupta, compreendida de terças às sextas feiras, inclusive aos sábados, domingos e feriados no seu horário de funcionamento, das 9:00 às 16:00h, pois às segundas feiras o Museu é fechado para o público.

Agradecemos, também, a todos que contribuíram para o sucesso dessa realização, cujos nomes e entidades foram referenciados na reportagem “Museu do Tietê: identidades e representações”, matéria veiculada na Revista Águas e Energia Elétrica de fevereiro do ano 2000, nº. 19, pág.36 a39: Prof. José Sebastião Witter, Diretor do Museu Paulista da USP, Profª. Miyoko Makino, Diretora de Difusão, Profº. Jonas Soares de Souza, Supervisor do Museu Republicano de Itu, Ettore Liberalessu, de Salto, Marco Antonio Palermo, Engª. Priscilla T. S. Balotta de Oliveira, Diretora do Parque Ecológico do Tietê, Engºs.  Ricardo R. Borsari, Mario Thadeu Sene de Barros, Antoninho Pereira da Silva, Noboru Minei do CTH, Srº. André Fraccari do Clube Espéria, responsável pelo Arquivo Histórico e Max Cagnoni, Diretor Cultural do Clube de Regatas Tietê.

Agradecimentos especiais, ao Engenheiro José Bernardo Ortiz, que abriu os caminhos do DAEE, às iniciativas de implantação do Museu do Tietê e Centro Cultural do Rio Tietê, pois são resultantes da vontade desse homem público, que através do seu espírito de companheirismo e de cidadania, tem se distinguido como um autêntico propagador de cultura.

Destacamos, também, a contribuição do Administrador Fernando Silveira Queiroz, nosso saudoso Diretor de Administração do DAEE o qual, infelizmente, enfermo em 2000, não compareceu as solenidades de inauguração do Museu, falecendo algumas semanas após, grande incentivador do Projeto Cultura e Cidadania no tocante à incrementação das atividades culturais no Parque Ecológico do Tietê.

Agradecemos, ainda, aos nossos colegas de trabalho, Astor Leonel Navas e Maria Efigênia do Nascimento, Assistentes Técnicos da Diretoria de Administração na época, e que prestaram inestimável apoio logístico, sem o qual nosso trabalho seria difícil de ser concretrizado.

 Estendemos, também, os agradecimentos ao colega de DAEE, Sr. Lauremar Gonçalves de Paula, aposentado que nos conduziu da nascente do Tietê em Salesópolis até a foz do Tietê, em Itapura para execução dos trabalhos de pesquisa, coletas de informação, fotografias e filmagens.

 E, finalmente, os agradecimentos ao nosso amigo Fausto Henrique Gomes Nogueira, Mestre em História da Cultura, grande colaborador do projeto Cultura e Cidadania, e responsável pelo projeto historiográfico do Museu do Tietê.

 Embutidos do espírito de equipe que sempre norteou nosso trabalho, assim como de amor a este grande rio de São Paulo, estamos convictos da magnitude do projeto realizado e de seus resultados, mas reconhecemos também, que há muito para construir, transformar e avançar!

Vitor Cezar Maniero: Pedagogo, Assistente Técnico IV do DAEE, Responsável pela Coordenação do Centro Cultural do Rio Tietê/PET

Veja ainda as pinturas e lindas imagens do Museu do Tiete e do Parque Ecológico do Tiete, através das pinturas de Edu das Águas que expôs suas obras no mês de maio no Museu do Tietê. Vale a pena ver o video montado pelo Anacleto da Ecooficina do Tietê (www.ecoficinadotiete.org.br)

http://www.youtube.com/watch?v=9ZmUwYbDOfk

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