Um engenheiro especialista em Topografia e Georrefereciamento, que no seu tempo livre atua como voluntario em entidades que apoiam o Sumô, um esporte nacional japonês: Tadaaki Kimoto.

12/08/2016 às 17:13 | Publicado em Estaleiro/Mogi das Cruzes, Memoria Servidor, Topografia | 2 Comentários

Em julho, entrevistamos o Diretor da Unidade do Estaleiro, Sr. Tadaaki Kimoto, Engenheiro, admitido em 01/7/1975, portanto com uma longa história e experiências de DAEE para nos contar.

Conta que começou em 1974 como estagiário do antigo convênio DAEE/IPT, atuando como Assistente Aluno da Seção de Geologia Aplicada pelo IPT, na unidade do DAEE de Mogi das Cruzes/ Estaleiro, que por estas coincidências da vida, hoje é o Diretor.

Quando se formou em Engenharia foi contratado pelo DAEE para atuar na da Barragem do Rio Jundiaí, que fica em Mogi das Cruzes.

A obra da barragem estava em seu início, e como chefe de seção de obras era responsável pela construção da Barragem. A Barragem do Jundiaí, onde estava lotado pertencia à diretoria do Vale do Tiete, seu chefe imediato Eng. Pércio Pereira de Souza e o Diretor Geral: Dr.  Salvador Coti.

Em 1978, foi convidado pelo Eng. Pércio para se trabalhar no projeto Parque Ecológico do Tietê – PET, que estava em seu início. Não tinha Parque ainda, e ele e a equipe pioneira deste projeto participaram das primeiras licitações para formação e construção do PET, tudo muito incipiente, comecinho, mas com muita garra e um pouco de intuição da equipe que começava a formar este Parque de muita importância para DAEE, para região e mesmo para população de São Paulo.

Segundo site do DAEE:

“Criado em 30/04/1976, pelo governador Paulo Egydio Martins, o PET foi inaugurado em 14/03/1982. A iniciativa surgiu com o objetivo de preservar o rio Tietê e um pouco de suas várzeas, além de possibilitar uma área de lazer para a população da Região Metropolitana de São Paulo.
Além de sua função de preservar a fauna e a flora da várzea do rio, o Parque Ecológico do Tietê proporciona aos seus usuários uma série de atividades culturais, educacionais, recreativas, esportivas e de lazer, recebendo mensalmente a média de 330 mil visitantes: 300 mil só no seu Núcleo Engenheiro Goulart e 30 mil no Núcleo Jacuí – também na Zona Leste
”.

Lembra-se da equipe que atuava como pioneira nesta época: Eng. Cid Augusto Granado Soares (hoje Responsável pela Unidade de Atibaia), Eng. Antônio Carlos Tancredi e Eng. Rodolfo Ruiz Garcia (lotados no PET/Eng. Goulart), que assim como ele se desdobravam para que o projeto saísse do papel e que aquele empreendimento se tornasse real. Era uma equipe jovem e sem muita experiência, mas com muita vontade. Foram grandes as experiências deste período e com um aprendizado que leva para sua vida até hoje, considerando que adora tudo relacionado a meio ambiente, ecologia, plantas, etc.

Hoje é um orquidófilo e tem muitas orquídeas sob seus cuidados em casa e no trabalho, alias fotografamos uma destas em sua sala.

Destaca ainda a participação do Dr. Arady Tavares, cuja atuação foi muito importante para Parque em geral (veja matéria neste blog).

O primeiro parque a ser construído foi o do Tamboré, localizado na região de Barueri (vizinho do complexo de Alphaville e atualmente sob a responsabilidade da Prefeitura de Barueri e Santana do Parnaíba) cujo projeto era de Ruy Otake, depois veio à construção do PET/Núcleo Eng. Goulart.  Cabia a esta equipe fazer licitações, construções, fiscalizações, projetos, etc.

Lembra-se com orgulho de que para a construção do Núcleo Eng. Goulart, foram feitos o projeto da continuação da via marginal do Tiete, para dar acesso ao local, e o projeto da Rodovia dos Trabalhadores aproveitou quase integralmente o seu traçado no trecho do PET, mais uma das ações pioneiras do DAEE e suas equipes.

Quanto ao PET e ao trabalho da sua equipe, primeiramente foi construída a parte de lazer do PET, (blocos A, B, C e D, piscinas, quadras campos de futebol etc., e a área de Preservação Viveiro de mudas, viveiro de animais etc.) para só depois ocorrer à construção da atual sede administrativa do local, pois antes utilizavam o antigo casarão, que atualmente abriga a área de educação ambiental. É um casarão antigo, secular, que pertencia ao dono da propriedade, e que foi mantido por ser muito bonito, fazer parte da história daquela unidade e até mesmo pela arquitetura que é belíssima e antiga.

Depois veio a ampliação de viveiro de mudas, criação do Centro de Educação ambiental e finalmente o CRAS – Centro de Recuperação de Animais Silvestres, com objetivo de atender a demanda crescente proveniente das apreensões de animais, principalmente do aeroporto internacional de Guarulhos, muito reconhecido em sua área de atuação e pioneiro no Brasil em suas atividades com recuperação de animais, idealizado pelo Engenheiro Osmar Luiz Costa e projetado pela equipe do PET. Hoje o Centro é coordenado pela Veterinária Liliane Milanelo (vide matéria neste blog).

Desta época lembra-se dos grandes desafios, que eram as invasões de áreas do PET por sem tetos e até de empresas vizinhas, pois o DAEE além de equipe reduzida para isto, não dispunha de mecanismos suficientes para fiscalização das mesmas.

Além disto, a administração ainda caseira de áreas muito conturbadas como piscinas, que atraiam e atraem grande parte da população no entorno do PET. Teve se que colocar regras, para que aquilo viesse a se transformar num local público atraente e organizado para população. Era considerado por alguns (tanto servidores, como permissionários e usuários) como linha dura, pelo fato de ter alterado o formato caseiro de trabalho nestes locais, e criar normas para uso das piscinas e horários de entrada e saída do PET.

Apesar da boa vontade da equipe, infelizmente a falta de pessoal qualificado em gestão de parques dificultava muito o trabalho no início das atividades do PET, mas com o tempo isto foi se reorganizando e entrando nos eixos.

Lembra-se com certo saudosismo do seu chefe nos anos 80, na época José de Oliveira Mateus, que apesar de muito rígido e vindo da Secretaria de Agricultura, trazendo para a equipe do PET formada por Engenheiros, biólogos, Agrônomos, Zootécnicos, Veterinários, Arquitetos, etc., “palestras mensais” sobre: ecologia, legislação ambiental, novo modelo de reflorestamento voltada ao nosso ambiente, pesca, ictiologia, Saúde Pública, paleontologia etc., e ainda visitas técnicas em diversas entidades e universidades correlacionados ao assunto meio ambiente.

Lembramos que nesta época o DAEE pertencia à SOMA- Secretaria de Obras e Meio Ambiente.

O Meio ambiente no Brasil ainda era assunto novo, com poucos exemplos ou escassa literatura nesta época, portanto estes conhecimentos trazidos por palestrantes e profissionais de Universidade Públicas, consultorias, empresas do ramo, ajudaram muito a equipe do DAEE.

Menciona que pela novidade do tema, muitas coisas sequer tinham legislação, portanto quando o condomínio Alphaville solicitou a autorização para lançamento de efluentes sanitários no lago do Tamboré, a Faculdade de Saúde Pública da USP, parceira do PET na época, desenvolveu estudos e apresentou o relatório completo das análises feitas no local, destacando o dano que isto traria as aguas do lago e dando suporte técnico para o DAEE. Portanto este tipo de parceria foi fundamental para desenvolvimento do assunto meio ambiente.

Em 1992, foi transferido para o Estaleiro/Mogi. A unidade fica localizada bem no inicio da cidade, a Rua Cabo Diogo Oliver, tendo ao fundo do prédio, um rio muito límpido: o Tietê, é de lá que as vezes saem os barcos do DAEE para realizar seus trabalhos de topografia entre outros.

A unidade de Mogi das Cruzes se destacou (e se destaca) pelo trabalho intenso com topografia, sondagem, entre outros.Fazendo parte de equipe de levantamentos topográficos, este passou a buscar novas tecnologias e modernização de equipamento para inserir os trabalhos no conceito digital.

Com a aquisição de novos equipamentos de medição, passaram com isto a eliminar a trena e automatizar o processo com o uso da informática.

Ele e o falecido Eng. Deodato Afonso Gomes, fizeram curso de especialização em georeferrenciamento, na escola de Agrimensura de Pirassununga, o que os ajudou muito no trabalho, pois hoje toda a medição é referenciada o que facilita no trabalho de identificação dos limites dos patrimônios do DAEE.

Para esclarecer: Georreferenciamento ou georreferenciação de uma imagem ou um mapa ou qualquer outra forma de informação geográfica é tornar suas coordenadas conhecidas num dado sistema de referência. Este processo inicia-se com a obtenção das coordenadas (pertencentes ao sistema no qual se pretende georreferenciar) de pontos da imagem ou do mapa a serem georreferenciados, conhecidos como pontos de controle. Os pontos de controle são locais que oferecem uma feição física perfeitamente identificável, tais como intersecções de estradas e de rios, represas, pistas de aeroportos, edifícios proeminentes, topos de montanha, entre outros. A obtenção das coordenadas dos pontos de controle pode ser realizada em campo (a partir de levantamentos topográficos, GPS – Sistema de Posicionamento Global), ou ainda por meio de mesas digitalizadoras, ou outras imagens ou mapas (em papel ou digitais) georreferenciados. Tal ato pode permitir que ocorra uma geodecisão por parte dos consultores de um projeto ou uma administração de uma empresa”. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Georreferenciamento)

Hoje eles são credenciados pelo CREA e INCRA para poderem executar estas atividades.

É a equipe de Mogi Estaleiro que identifica os limites de área das barragens, Parque Ecológico do Tietê, Nascente do Tiete, e vários patrimônios do DAEE, através do georeferrenciamento via satélite.

Para isto Tadaaki, a unidade e o DAEE, conta com técnicos muito bons nesta área como: Engenheiro Guilherme Marques, e outros funcionários e estagiários, todos com treinamentos e aprendizados na DEA Mogi.

Este tipo de trabalho serve para o DAEE quando da invasão de propriedades, dúvidas sobre divisas de áreas em geral, atender os técnicos de várias áreas do DAEE, quanto a estudos topográficos e auxiliar o Grupo de Técnico de Gestão de Patrimônio Imobiliário do DAEE e APGE, nos seus diversos questionamentos.

Também através da portaria do Superintendente fez parte da Comissão especial de avaliações e perícias para áreas destinadas a construção das barragens de Paraitinga e Biritiba (fizeram parte desta comissão José Eduardo Santana Leite, Luiz Carlos da Silva, Ernesto Mory e saudosos engenheiros Eduardo Fioratti e Josemar Garcia dos Santos), o que resultou uma grande economia e agilidade para o Estado.

Além de todo este trabalho muito importante para o DAEE, nosso entrevistado ainda é voluntário como Presidente da Associação de Sumo do Alto Tiete e Vice-Presidente na Confederação Brasileira de Sumô.

Para esclarecimentos (extraídos no site:  http://sumobrasileiro.blogspot.com.br)

“Sumô é o esporte nacional japonês, arte marcial símbolo de dedicação, competitividade, força, destreza, honradez, respeito… De tudo o que o povo do sol nascente mais preza. Ganha aquele que tirar o adversário para fora do círculo que delimita o dohyo ou que derrubar ao chão. Simples assim. E também são proibidos tudo aquilo que vá machucar propositalmente o adversário, pois no Sumo tudo acontece aos pares: é por termos um adversário que podemos treinar e ficar fortes”.

É preciso ser gordinho para praticar Sumô? Aquela velha história o lutador obeso não passa de mito, afinal a própria palavra “obeso”, remete-nos à ideia de sedentarismo, o que obviamente não se aplica a atletas. Isso é bem provado quando se vê um treino de Sumo, tanto profissional quanto amador. Uma das barreiras maiores para a popularização o nosso esporte, a meu ver, é esse preconceito.

A mídia teima passar uma imagem falsa, ignorante e até ofensiva do Sumô: como um encontro brutal de massas gordas num espetáculo quase circense. Desprezam todo o valor cultural dessa arte milenar que, antes de tudo, é uma das raízes do povo japonês.

Para Tadaaki, o esporte é um legado da família, já que seu avô começou com este trabalho, seguido por seus tios, hoje por ele, seus filhos e esposa. Todos participam das atividades desenvolvidas que são: ajudar e apoiar atletas, organizar o campeonato anual, 06 regionais, 01 campeonatos paulista e 01 campeonatos brasileiro.

Tem também o campeonato mundial que além de ter participado como técnico, conta com vários atletas medalhistas do alto Tiete na modalidade representando a seleção brasileira.

Do grupo apoiado por eles, cita Luciana Watanabe, 10 (dez) vezes campeã brasileira, várias medalhas de bronze no mundial, prata no world games e que hoje além de atleta é professora de educação física na rede municipal de ensino, e que conduziu a tocha Olímpica pela cidade de Suzano, também Ricardo Aoyama, 4(quatro) vezes campeão brasileiro e medalhista de bronze no mundial, Sara Gomes com 16 anos, 2 (duas) vezes campeã brasileira Junior e medalhista de bronze no mundial de 2015 no Japão entre outras.

Também informa que dos participantes de hoje, mais de 80% são brasileiros e menos de 20% descendentes de orientais, o que desmistifica este mito de que é um esporte só de orientais, e são amplamente aceitos e praticados pelos jovens da comunidade esportiva em geral.

É um esporte bom para a formação dos jovens e crianças, já que tem que ter muita dedicação, espirito de luta, disciplina e respeito, etc. No caso de seus filhos (hoje adultos e formados) que também o praticavam, disse que o mesmo ajudou muito na formação e do caráter de todos eles.

Tadaaki é um profissional satisfeito pelo que realizou e aprendeu no DAEE. Em tudo que passou na Autarquia e também nas suas atividades de lazer e voluntariado sempre contou com o apoio da família, formada por sua esposa: Marina Yukiko Kimoto e seus 05 filhos: Alexandre, de 36 anos e dentista, Marcio de 34 anos e Engenheiro Eletricista, Mauricio de 33 anos também dentista, Henrique de 31 anos – Engenheiro Civil e seu filho caçula e estudante Leonardo de 14 anos.

 

 

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2 Comentários »

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  1. Tive a satisfação de ter sido contemporâneo do Eng.º Tadaaki no PET, um excelente profissional. Muito boa a reportagem.
    Depetri

  2. Eu tive oportunidade de trabalhar com ele no Pet. Eng. Goulart!!!


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