Carlito Flavio Pimenta – Um homem a frente do seu tempo, pioneiro e profissional dedicado a Engenharia Hidráulica (1917-2011).

23/04/2012 às 14:51 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Eng.Hidráulica pela Esc.Politécnica da USP

Em uma conversa com o filho do ex-servidor Fabio Pimenta (54 anos) também engenheiro como o pai, buscamos traçar um retrato e perfil deste servidor falecido em 2011, que foi um ícone na sua área de atuação, sendo uma forte influencia técnica na área de engenharia hidráulica no Estado de São Paulo e por que não dizer no Brasil.

Dr. Carlito Flávio Pimenta, entrou no DAEE em 1/11/1952, prontuário 0226, servidor efetivo, estaria hoje com 95 anos, pois nasceu em 1917. Falecido com 93 anos em 2010, segundo os familiares, encontrava-se lúcido, inclusive com seu francês impecável.

 Mas vamos a sua história: Dr. Pimenta formou-se na Universidade de São Paulo – Escola Politécnica. Foi assistente do Dr. Lucas Nogueira Garcez, que viria a se tornar Governador do Estado de São Paulo.  Fez um estagio no Laboratório Chateau na França (1951/1953), trazendo conceitos de engenharia hidráulica, modelos reduzidos, para a USP.

Dr. Lucas Nogueira Garcez o incumbiu de uma missão: Criar um laboratório de hidráulica na USP, moderno, completo, bem conceituado que serviria para reforçar conceitos aos estudantes do curso de engenharia.  Em 1953 este laboratório foi fundado, a princípio na Praça Cel. Fernando Prestes (Poli antiga) e depois transferida para um local atrás da Engenharia Mecânica, na Cidade Universitária.

Nascia assim o Laboratório de Hidráulica, depois Centro Tecnológico de Hidráulica, hoje FCTH – Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos. Toda esta história da formação do Laboratório de Hidráulica – pelo convênio DAEE / Politécnica, você vera abaixo pelas próprias palavras do Dr. Pimenta que deixou isto registrado e que nos vamos publicar por partes, considerando que o texto é longo. 

Vamos nos ater ao servidor Carlito F. Pimenta.

Casado, com Celisa, uma estudante de Ciências Sociais e Biblioteconomia, a conheceu quando esteve em estudos na França. Foi solteiro e voltou ao Brasil já casado.

Segundo o filho o pai era uma pessoa muito inteligente, persistente, trabalhador, diria até “caxias”, pois levava o trabalho muito a serio, o trabalho era sua vida. Lembra-se de uma época que teve que “competir” pela vaga de Professor titular na Politécnica, que ficou por 03 meses trancado e estudando diariamente em sua casa, cabendo aos filhos não incomoda-lo e a mãe trazer a tranquilidade necessária para que os estudos dele fossem priorizados. Conseguiu a vaga e titularidade da cadeira na Politécnica.

Era uma pessoa de cunho acadêmico, que é que se pode dizer isto. Segundo o filho, ele tinha vasto conhecimento no ramo de engenharia hidráulica, não era um homem voltado a ficar rico com isto. Foi até mesmo um homem empreendedor e com muita visão, pois nos inicios dos seus estudos chegou a lançar uma espécie de turbina que anos depois foi aproveitada pelas empresas e vendida (até hoje) como algo extremamente importante para as indústrias. Esta patente e invenção denomina-se GRELHA  G7 destinado a impedir a formação    de vórtices na embocadura de tubulação vertical.

 Foi por um período também sócio de uma empresa da área de engenharia CNEC- Consorcio Nacional de Engenheiros Consultores.  Este sua descoberta está em um de seus livros, dos inúmeros que escreveu e que são referencia na área de engenharia.

Mas a vida acadêmica, suas realizações, seus estudos, suas aulas, sua atuação na Politécnica e junto ao Governo era o que mais gostava e o realizava.

Um detalhe nos surpreendeu quanto à vida deste servidor. Segundo o filho até os 18 anos, ele como todos os demais filhos desta família trabalhou pesado na roça, agricultura de pequeno porte, do qual o pai era proprietário.  Mais velho de 08 irmãos, certa data, nesta idade, cismou que queria estudar. O pai achou que ele queria mesmo era um serviço mais leve, deixando o pai e irmãos com o serviço pesado, portanto não o estimulou, muito pelo contrario, fico sem falar com ele alguns anos, quando este largou a pequena Cidade de Nepomuceno em Minas Gerais para vir a São Paulo estudar.

Dr. Carlito brigou com o pai e veio. Como não tinha sequer o colegial, teve que fazer Madureza, e correr atrás dos estudos, já que de dia trabalhou como alfaiate para poder bancar suas despesas. Entrou para Universidade de São Paulo – Politécnica com muita dificuldade, considerando que não tinha uma base escolar como os demais alunos. Neste tempo começou também a dar aulas no Colégio Anglo Latino para se sustentar.

O filho se orgulha do esforço do pai e da grandeza deste homem que simplesmente do nada, resolveu que ia estudar, largou tudo, e veio atrás do seu sonho.  Com muita dificuldade e esforço foi galgando posições e se tronando um profissional renomado, reconhecido, especialista na sua área de atuação, enfim respeitado por todos e influente no seu campo. Além de engenheiro, professor da Escola Politécnica, autor de inúmeros estudos e livros, fez mestrado, Doutorado, participou da bancas examinadoras de vários profissionais também renomados. Falava fluentemente várias línguas.

Seus feitos e realizações podem ser observadas no curriculum dele abaixo, que também fazemos questão de expor para que saibam que tipo de profissionais foram responsáveis pelo sucesso que o DAEE é hoje.   

Retomando sua história, depois de formado, retornou a sua cidade natal, reatou com o pai, ajudou os irmãos pequenos a se formarem também. Com o tempo todos acabaram vindo para São Paulo. Só dois dos irmãos quiseram permanecer em Minas Gerais.

O irmão Jayme Pimenta, o caçula se espelhou nele e também é Engenheiro e Professor da Escola Politécnica, além, de servidor do DAEE.

Apesar do profissionalismo e excesso de trabalho e responsabilidade, lembra-se do pai muito presente, nos almoços diários em família, levando os filhos para brincarem com aeromodelismo e também do pai tocando clarinete e saxofone, instrumento que por muito tempo ele ficou sem tocar, mas que não sabe por que motivo com a morte da mãe retomou.

Dr. Carlito Flávio Pimenta, teve três filhos: Fabio (caçula); Carlos e Flavia (gêmeos). Os dois irmãos são engenheiros e a irmã: Arquiteta.    

Dr. Carlito Flavio Pimenta, foi um dos grandes profissionais que fizeram do DAEE e CTH ser o que é, um órgão público que presta relevantes serviços a população. Resultado do seu (e de outros grande profissionais que por aqui passaram) empenho pessoal,  pioneirismo, inteligência, profissionalismo.

É através deste tipo de profissional, voltado as politicas publicas e ao coletivo, é que devemos o estagio de algumas atividades profissionais do DAEE e por que não dizer da área de engenharia hidráulica em geral.

Nosso reconhecimento a este grande homem e profissional, falecido em 2011.

Abaixo texto extraído do site da Escola Politécnica da USP com o Histórico do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil que reforçam o nosso texto e matéria:

“A Engenharia Hidráulica e Sanitária sempre foi considerada uma das áreas de maior atuação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, sendo que praticamente a maior parte das estruturas hidráulicas que compõem o parque gerador de energia elétrica do Estado de São Paulo foi concebido e estudado no Centro Tecnológico de Hidráulica. Dentre os profissionais de maior destaque, pode-se citar os Professores Lucas Nogueira Garcez (ex-governador do Estado de São Paulo de 1951 a 1955), José Augusto Martins, Kokei Uehara e Carlito Flávio Pimenta. A área de Saneamento Básico orgulha-se de ter como representantes os Professores José Martiniano de Azevedo Neto, Eduardo Ryomei Yassuda (ex-Secretário de Estado de 1967 a 1971) e Benoit de Almeida Victoretti (ex-prefeito de São José dos Campos de 1951 a 1954), sendo estes responsáveis pela modernização da área de saneamento básico no Brasil e responsáveis pela concepção dos principais sistemas de abastecimento de água e sistemas de coleta e afastamento de esgotos sanitários da maioria das cidades do Estado de São Paulo”.

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