A Bacia do Peixe Paranapanema – BPP e a carreira de um de seus fundadores: Denis Emanuel de Araújo

13/12/2013 às 13:42 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Denis E de AraujoDenis Emanuel de Araujo, nascido em outubro de 1951, é casado e pai de três filhos e uma filha, dois deles residentes em São Paulo. Sua formação acadêmica é de Tecnólogo pela FATEC/SP e Engenheiro Civil pela Faculdade de Engenharia de São Paulo. Foi admitido no DAEE em 26/08/1976, estando às vésperas de completar trinta e oito anos no serviço público.
Ao cursar na FATEC, na década de 1970, Tecnologia de Obras e Hidráulica, Denis nos conta que teve grandes professores que trabalhavam no DAEE, dentre eles os Engenheiros Flavio Terra Barth, Wilson Ourives e Dirceu D’Alkmin Telles. Ressalta, com orgulho, ter sido indicado por Flávio Terra Barth para atuar no DAEE, ao final de 1975, como estagiário, experiência esta que deu impulso a sua contratação em 1976. O convite para trabalhar no DAEE aconteceu no momento certo, logo após a sua formação técnica, época em que ocupava o cargo de Presidente da Diretoria Acadêmica do Centro Paula Souza e encerrava o seu estágio. Enquanto os estagiários da FATEC eram dispensados pelo DAEE, após conclusão do curso, ele foi indicado para ocupar o primeiro cargo de Tecnólogo no DAEE, já que acabava de ser aprovado, pelo Conselho Deliberativo do DAEE, a admissão de Tecnólogos. Denis explica que a coincidência foi que os documentos pertinentes à aprovação da admissão de Tecnólogos no DAEE chegaram em suas mãos, na Diretoria Acadêmica da FATEC, então entrou em contato com o Engenheiro Hiroaki Makibara, um dos diretores do DAEE, que agilizou as providencias para contratação.
Fazendo uma retrospectiva de sua vida profissional no DAEE, Denis iniciou seus trabalhos na Divisão de Planejamento de Obras Hidráulicas – PO e gostava do que fazia! O DAEE foi uma escolha e, por isso, Denis ressalta que trabalhava e aprendia muito com tantos profissionais que até hoje são referências no País, aproveitou o que lhe estava sendo estendido. Ao seu lado, teve grandes profissionais como o Engenheiro Sunao Assae, Consultor do DAEE e o Engenheiro Alcino Campos do Amaral , ambos membros da equipe do Flávio Terra Barth. Com Sunao, Denis menciona que trabalhava muito na área de fluviometria, junto aos rios Mogi Guaçu e Rio Pardo, foram inúmeras as viagens que lhe resultaram o vasto aprendizado nas questões técnicas e disciplinares.
Atuou também com o Engenheiro Luiz Fernando Carneseca, na equipe do Engenheiro João Gilberto Lotufo Conejo, em trabalhos voltados ao levantamento de saneamento básico nos municípios, que resultou na efetivação do inventário de saneamento de todo o Estado de São Paulo.
Em 1983 com a mudança de Governo e adequação das Diretorias no DAEE, Denis passou a atuar na Diretoria de Projetos, com o Engenheiro Silvio Silvado Siqueira, onde foi coordenador de Hidrologia, no Grupo do Engenheiro Jorge Simão, atividades relacionadas à elaboração de projetos de controle de enchentes, sob orientações técnicas do Professor Kokei Uehara, ao qual faz questão de registrar seus agradecimentos pela consultoria que recebeu uma vez por semana, o que lhe proporcionou mais conhecimentos técnicos e um imensurável crescimento de vida, conclui.
Também nesta nova gestão, na época do Governador Montoro, houve a descentralização do DAEE no Estado, com a criação de sete Diretorias de Bacias, sendo o Engenheiro Silvio Silvado Siqueira indicado para assumir a Diretoria do Alto Tietê e Baixada Santista; o engenheiro Nelson Nashiro, a Diretoria do Ribeira do Iguape; o Engenheiro Jasel Neme, a Diretoria de Apoio Técnico; e Denis a Diretoria de Bacia, com sede em Marília. Denis ressalta a sua gratidão ao engenheiro Silvio Silvado Siqueira por tê-lo indicado para assumir a BPP, começava então a “saga” voltada à instalação da Diretoria de Bacia do Peixe-Paranapanema/BPP.
Sente-se um dos desbravadores do interior, explica Denis. Os técnicos que aceitaram este desafio trouxeram toda a sua bagagem técnica e o conhecimento da capital. Uma casa foi alugada para ser a sede da Diretoria, com apoio da Prefeitura Municipal de Marília, sendo que a equipe inicial da BPP contava com quatro funcionários, Mário Fernando Riekstin, Jarbas Leone, Luiz Sergio de Oliveira e Mário Luiz Modaelli. Foi assim instalada, em abril de 1985, a BPP sob sua coordenação.
Além da sede, a BPP conta com duas Unidades de Serviços e Obras, uma em Piraju e outra em Presidente Prudente, que já estavam instaladas na época, para prestar atendimento de 136 Municípios (hoje já são 156).
Com o passar do tempo outros técnicos, em especial vindos de São Paulo, passaram a integrar a equipe técnica da BPP. Os técnicos da BPP tinham bom conhecimento em hidrologia e hidráulica, e para desenvolver projetos e obras na área de controle de erosão do solo, buscaram conhecimento em mecânica dos solos. Nesta época, Denis fez especialização em geotecnia na USP em São Carlos/SP, o Geólogo Emilio Carlos Prandi, mestrado, e outros profissionais da Diretoria, cursos de drenagem urbana em São Paulo, mecânica dos solos, etc, tornando-se grandes especialistas. Denis ressalta que devido as grandes demandas dos municípios criou uma Divisão de Projetos, que passou a atender as Prefeituras com projetos de drenagem urbana, canalização, e em especial para perfuração de poços profundos para abastecimento público, pois 70% dos Municípios da Diretoria são abastecidos por água subterrânea.
Em função dos projetos e obras desenvolvidos na área de controle de erosão do solo urbano, esta Diretoria passou a ser considerada referência no Estado de São Paulo.
Com relação à escolha da sede da BPP, Denis explica que foram feitas visitas técnicas em toda a região, onde se concluiu que a sede deveria ser no núcleo da bacia, em Marília. Foi solicitada a doação de um terreno ao Prefeito Municipal Abelardo Camarinha, que doou 4000 m² na zona sul da cidade, onde hoje está instalada a sede da Diretoria.
Num período em que o Governo não investia em construções e que o DAEE não possuía recursos financeiros, Denis conta que, para construir a sede da Diretoria, teve que buscar alternativas como a utilização de materiais de desmanches e doações. A ajuda da Diretoria da Bacia do Alto Tietê e Baixada Santista foi extremamente importante com a doação de tijolos, cercas e palanques, além disso, por vezes, disponibilizava caminhões para levar à Marília todo esse material. Também houve a colaboração dos funcionários da Unidade de Serviços e Obras de Piraju. Enquanto eles aguardavam o conserto das máquinas quebradas, instalavam-se em Marília, sob o comando de João Aliano, e aos poucos foram construindo a sede, primeiro cercando o terreno, depois com a construção de um barracão para o depósito do material que chegava.
Registrou também que a Associação dos Funcionários do DAEE – ADAEE doou arames para os alambrados, sendo que a Prefeitura de Parapuã teceu os alambrados, os quais, até hoje, estão instalados na sede.
Em 1990, já com disponibilidade de recursos, foi contratada uma empresa para erguer as paredes. Entretanto, explica, todo o acabamento da sede foi realizado pelos próprios funcionários do DAEE, lotados em Piraju e, na fase final, de Registro.
Em 1991,com a presença do Superintendente do DAEE Engenheiro Francisco de Assis R. Além, Chico Além, do Deputado Estadual Abelardo Camarinha e de vários prefeitos da região, ocorreu a inauguração do primeiro bloco construído da sede da Diretoria. O DAEE, após seis meses da inauguração do primeiro bloco, viabilizou financeiramente a construção do segundo bloco,
Um fato interessante lembra Denis é que no período de 1985 à 1995, passados vários governos, muitos técnicos, advindos de outras regiões, com interesses voltados à qualidade de vida do interior, passaram a integrar o quadro de funcionários da BPP. Alguns técnicos não se adaptaram, outros persistiram constituindo família, casando-se na própria região, outros técnicos vieram para a BPP recém-casados e acompanhados de suas esposas; enfim, daí o título concedido à BPP na época: “Diretoria Casamenteira”.
Denis lembra que foi com muita persistência que se conseguiu aprovar o organograma das Diretorias de Bacias: a primeira proposta da estrutura saiu de um Grupo Técnico de Trabalho do DAEE e foi analisada pela Assessora Técnica do Governador Montoro (Sra. Iara, autora dos ERSAS/Saúde). Denis conta que ele foi o representante de cinco Diretorias de Bacias, acompanhado do engenheiro José Arnaldo de Oliveira, representante dos funcionários do DAEE e das Diretorias do Vale Paraíba e Alto Tietê. Foram realizadas fortes discussões sobre o organograma das Diretorias de Bacias para justificarem as funções, hierarquias, etc. Eram realizadas reuniões semanais no Palácio dos Bandeirantes. Galileu do Amaral Fidelis, técnico do RH, os acompanhava na montagem e discussão do organograma das Diretorias de Bacias. Em 1986, após muitas reuniões para aprovação de uma proposta final de organograma, foram criadas por decreto do Governador as Diretorias das Bacias Hidrográficas do DAEE, em todo o estado de São Paulo.
Denis ressalta que foi criado o organograma, mas ainda faltavam os cargos, pois não existiam as funções, ou seja, estabeleceu-se um grande dilema: os funcionários não recebiam pelo que desempenhavam, porém, já no final do Governo Montoro, foi definitivamente cessada a possibilidade da criação de cargos/funções para atender as Diretorias de Bacias. “Sinal vermelho” lembra Denis, com isso, achou que teria grandes perdas na Diretoria.
Uma nova perspectiva foi aberta quando um dos funcionários, recém-contratado pelo DAEE, oriundo de São Paulo, tinha vínculo familiar com o secretariado do Governo Montoro, na Secretaria de Administração, local onde estava parado o processo sobre a criação de cargos. Como última tentativa de resolver estas questões pendentes, nos dias finais do Governo, Denis enviou o Engenheiro Julio Cesar Villagra para São Paulo com o objetivo de tentar agilizar o trâmite do processo. Após três dias de empenho, foi obtido sucesso nessa empreitada: Júlio César trouxe “em mãos” ao Superintendente do DAEE, o processo assinado pelo Governador autorizando a criação de cargos para as Bacias Hidrográficas. Toda a equipe da BPP ficou muito feliz com esse êxito. Denis nos conta, porém, que ao buscar as apostilas, como reflexo dessa conquista, as mesmas não haviam sido assinadas pelo Superintendente, que justificou como motivo a redução de despesas. Só ao final de 1987, na nova gestão, com o Superintendente Paulo Bezerril Júnior, a estrutura das Diretorias de Bacias se efetivou e a BPP teve um novo impulso.
Denis cita um fato marcante na Diretoria: a organização do “4º Simpósio Nacional de Controle à erosão do solo”, realizado em Marilia, em fevereiro de 1987. Participaram 350 profissionais de todo o Brasil, além das equipes técnicas do DAEE e do IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, que desenvolveram importantes estudos na área de erosão dos solos na Bacia Hidrográfica, e posteriormente em todo o Estado. Este foi o primeiro evento organizado pelos técnicos da Diretoria, foram quatro dias de atividades, com visitas a campo, apresentação de trabalhos, discussões técnicas acerca dos grandes problemas de erosão do solo.
Emaranhado nas lembranças, Denis se recorda de outro fato ocorrido em 1987, às vésperas do Natal. Os funcionários da Diretoria já tinham sido dispensados e um Prefeito agraciou a Diretoria doando 10 grandes leitoas, entregando este “presente” na sua casa. Lembra que teve que correr pela cidade para distribuir as leitoas aos funcionários que ainda não haviam viajado com a família, faz questão de explicar o seguinte: “no interior, quando se recebe um presente, não se rejeita”.
Numa ocasião, Denis conta, o Engenheiro Hiroaki Makibara, por volta de 1987, esteve em Marília com uma comitiva de técnicos japoneses visitando obras de controle de erosão do solo em execução, ao se despedir disse as seguintes palavras: “vocês aqui estão exercendo o gerenciamento de recursos hídricos, ligados diretamente às obras e projetos”. Esses dizeres ficaram gravados em sua memória: “uma coisa é você ter um projeto no papel, outra coisa é você colocar efetivamente a obra em prática para a comunidade”. Por fim ressalta que era comum aos Municípios visitados estenderem faixas nas vias públicas homenageando o DAEE e a Secretaria de Estado, como reconhecimento dos trabalhos prestados às Prefeituras.
Em 1996, Denis pediu afastamento de suas atividades, primeiro com licença sem vencimentos e depois comissionado para atuar como Diretor de Engenharia no Departamento de Águas e Esgotos na Prefeitura de Marília, permaneceu por lá durante 6 anos, enfrentando novos desafios na área de saneamento básico, realizando projetos e obras de barragens, poços profundos, construção de reservatórios, etc. Nesses 6 anos, Denis lembra com orgulho que foi dobrada a quantidade de águas oferecidas à cidade, zerando a falta de água. Em 2003, retornou ao DAEE.
Em julho de 2012, a convite do Superintendente, Dr. Alceu Segamarchi Júnior reassumiu a gerencia da Diretoria da BPP, em Marília, num momento em que se comemorava os vinte e um anos da construção da sede da Diretoria. Retornou a coordenação do grupo com o qual já havia trabalhado, agora com larga experiência.
Denis não deixa de destacar, com orgulho, o campo de “futebol society” que possuem na sede da Diretoria, o que favorece os treinamentos realizados com os funcionários e o título de TRI CAMPEÃO nos jogos promovidos anualmente pela Cooperhidro, em Peruíbe.
Por fim ressalta um novo desafio em sua vida profissional junto ao DAEE: Assumiu, como Presidente, a Associação dos Engenheiros do DAEE. Enfatiza que existem muitas demandas para a Associação, desde a luta pela aposentadoria integral dos engenheiros mais antigos, até a conquista do mínimo profissional para os engenheiros em inicio de carreira. Este desafio tem dado um grande estímulo ao seu trabalho.
Ao DAEE sempre demonstrou gratidão em cada degrau que conseguiu avançar. Sempre buscou um aprendizado constante, desde estagiário, quando ainda restituía xerox de leituras de níveis de rios e montava estudos de fluviométrica.
Agradece ao DAEE também pelas oportunidades que lhe surgiram, e ao fato de poder ter criado os seus filhos transmitindo-lhes os conhecimentos que adquiriu no decorrer do tempo; sente-se muito realizado por saber que todos os resultados de seu trabalho como servidor público, agente do estado, cumpridor efetivamente de todas as tarefas que lhe foram designadas, foram sempre reconhecidos ao longo de sua trajetória.
Além do conhecimento técnico, Denis frisa que foi agraciado pela amizade que travou com pessoas de dentro e de fora do DAEE, que resultou em seu conhecimento humano e profissional e também em uma sincera união familiar de gerações que se cruzaram, uma vez que seus filhos e os filhos de membros de sua equipe também se tornaram grandes amigos; enfim, relação estreita de harmonia que sempre perdurou, elevando o nome do DAEE aos Municípios. “Afinal, esta é a nossa casa!”, conclui.

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