15 de Maio – Dia do Assistente Social – História destes profissionais na Autarquia – Parte II

15/05/2012 às 19:59 | Publicado em Sem categoria | 1 Comentário

Dorinha, Meire, Idalia, Teca, Regina, Silvia, Fatima – A.Sociais do DAEE

Neste 15 de Maio, dia que se comemora o Dia do Assistente Social, queremos prestar uma homenagem aos profissionais da área que atuaram (e atuam) no DAEE, contando alguns “causos” de atendimentos realizados por estas profissionais, desde 1973 ano que a área de serviço social foi implantada. Estes retratam bem o cotidiano desta profissão e as suas varias facetas, boas e algumas bem difíceis (e até engraçadas em algumas ocasiões). 

Mas antes, falando desta data, porque é comemorado neste dia: Em 15 de maio de 1891, o Papa Leão XIII publicava a Encíclica “Rerum Novarum”, apresentando ao mundo católico os fundamentos e as diretrizes da Doutrina Social da Igreja. Era a primeira Encíclica Social já escrita por um Papa e, arcava o posicionamento da Igreja frente aos Graves problemas sociais que dominavam as sociedades europeias. Para os assistentes sociais europeus, a Encíclica publicada naquele dia 15 de maio, trazia um conteúdo muito especial. Atônitos frente à complexidade dos problemas existentes e teoricamente fragilizados em consequência de sua formação ainda bastante precária, aqueles profissionais assumiam o documento e os ensinamentos ali contidos, como base fundamental de seu trabalho. E desse modo se aproximavam cada vez mais da Igreja Católica europeia que por sua vez, assumia progressivamente a sua liderança sobre o enfoque das práticas sociais daqueles profissionais.
No Brasil, o Serviço Social foi criado em 1936, a partir das iniciativas dos grandes líderes da Igreja Católica no País, inspirados na Doutrina Social da Igreja então enriquecida por uma nova Encíclica Social: há “Quadragésimo Ano” redigida pelo Papa Pio XI e publicada no dia 15 de maio de 1931 em comemoração aos quarenta anos da Rerum Novarum. E, desse modo, gestada no seio da prática da “Ação Social Católica”, ou simplesmente “Ação Católica” – no Brasil a profissão cresceu sob a liderança da Igreja e, até o início dos anos 60, recebeu a influência direta e decisiva da sua “Doutrina Social”.
Vamos as histórias com os atendimentos dos profissionais no DAEE, sem citar os nomes dos assistentes sociais e dos envolvidos.

Eram muito comuns os casos com atendimento psiquiátrico num determinado período na Autarquia, o quadro na época: 5000 servidores. Nada muito diferente de outros órgãos públicos. Então aqui vão alguns deles.  

Certa ocasião, uma assistente social atendeu um caso de doença mental que culminou com a internação do mesmo. Quando este retornou ao trabalho foi direto a sala dela, que se assustou e acabou caindo e luxando seu braço, que teve que ser engessado por meses. O que de fato o servidor queria era mesmo abraçá-la, pois estava com saudades dela. 

No ano de 1999 ou 2000, tinha um atendimento especial com certo servidor que apresentava problemas psiquiátricos, só que não era agressivo, pelo contrário, era muito calmo e querido por todos.  Era uma pessoa doce, educada, vivia sozinho, sem família presente, portanto tratado com muito carinho por ela. Só que tinha que se submeter a pericia frequentemente para poder entrar em beneficio previdenciário. Em uma destas pericias, a assistente social pedia com todo jeito que ele deveria comparecer em tal data no INSS para passar por pericia e ele teimando que não ia. Todas as outras assistentes sociais interferiram informando que ele tinha obrigação de ir, senão iria se prejudicar etc. Depois de ouvir todas, já meio impaciente, ele soltou esta: “Não vou a pericia não. A Constituição me garante o direito de ir e vir”, portanto não vou.  Saiu da sala batendo a porta.

Todas se olharam intrigadas e meio sem graça, pois a constituição tinha sido promulgada um ano antes e ao que tudo indicava o servidor sabia mais da legislação que a própria equipe; e olha que este servidor apresentava problemas de saúde mental, imagine se não, provavelmente seria um ótimo advogado. 

Uma das novatas (recém-formada) num dos primeiros atendimentos, depois de uma internação de um servidor no Hospital do Servidor, devido a um AVC – Acidente Vascular Cerebral. Como estagiária, foi enviada ao Hospital para levar os documentos do servidor, que tinham ficado no trabalho, já que ele morava sozinho e sua família vivia no Rio de Janeiro. Lá chegando à estagiária se identificou. A enfermeira pediu que aguardasse pelo médico no quarto do paciente, assim poderia ser informada sobre seu estado de saúde.

Chegando ao quarto se deparou com uma cena inédita, o servidor estava com parte do corpo paralisado, o rosto muito deformado, enfim quadro típico de AVC, muito triste. Era a primeira experiência com este tipo de situação que culminou com um mal estar. A pressão abaixou e começou a desfalecer, tendo que encostar-se à parede para não cair. Neste momento entrou o médico, que olhando para os dois pacientes, gritou para enfermeira: “Enfermeira corre aqui e acuda a assistente social que veio atender o paciente. Cuida dela que o paciente está estável”. 

Enfim, ela que foi lá para atender o paciente morreu de vergonha, ficando super sem graça, mas aceitando com bom grado o atendimento da enfermeira. 

Outro atendimento difícil, ainda com esta mesma assistente social, foi um referente à esposa de um servidor. Ela apresentava problemas de psiquiatria, e a pedido do servidor devido a fortes crises que vinham ocorrendo, foi realizada visita domiciliar pela assistente social. Neste dia cordata e amável a esposa concordou prontamente em ir ao dia seguinte a um hospital perto de sua residência, para passar pelo médico. 

No outro dia, conforme decidido retornou a residência acompanhada pelo motorista. Ao bater palmas foi surpreendida com a mesma esposa cordata, subindo correndo (a casa ficava embaixo, o terreno em declive) com uma pedra na mão para jogar na assistente social que aguardava ao portão, que era pequeno, baixo e estava fechado. Ao chegar ao portão, à mulher estava totalmente irreconhecível, falando todo tipo de impropérios, palavrões, xingamentos e principalmente acusava a assistente social de estar tendo um caso com seu marido e estar lá para tomá-lo dela. O marido presente na residência, “provavelmente estava em baixo da cama”. O motorista estava no carro em frente, assistindo a tudo, deslizou tanto no banco que quase era impossível vê-lo, nem mesmo parte de seu cabelo ou cabeça.

De fato, frente a frente uma assistente social assustada e uma mulher doente e muito brava, com uma pedra na mão pronta para agressão. Para piorar, a vizinhança toda começou a sair, abrir janelas, subir nos telhados, sair nas calçadas, abrir os portões, fazer grupinhos, enfim o circo estava armado.

Apesar de está morrendo de medo a assistente social resolveu enfrentar a “ferinha”, dizendo a ela que não poderia fazer isto, que a polícia estava a caminho, que isto não seria apropriado, que ela estava ali para ajudar, etc. A mulher com a mão e a pedra pertinho da cabeça dela, só ouvido os argumentos, olhos arregalados aparentando muito ódio e muito desequilibrada.

Quando as coisas já estavam bem ruins, chegou à polícia provavelmente acionada por um dos vizinhos. Dirigiram-se a assistente social que explicou tudo. Eles pela própria experiência perceberam rapidamente o quadro de doença mental que tinham ali.

Esclarecendo que as pessoas que apresentam problemas psiquiátricos, normalmente são acometidas as vezes de comportamentos estranhos, agressivos, etc., só que quando se vêem diante da polícia ficam quietinhas, ouvindo. O policial conversou com ela, que explicou sobre o fato de estar defendendo seu marido do assédio de outras mulheres. O policial olhou com cara de gozador e com aquela piscadinha maliciosa, disse pra assistente social: “muito bonito hei dona assistente social, querendo aprontar com dona fulana, pode deixar que depois conversamos. – A Senhora (esposa) pode ficar tranqüila, nos cuidamos dela, vá até o hospital neste camburão, que disto cuidamos nós”. E lá foi a esposa contente pro hospital.

Quando ao seguimento disto, só depois de sair o camburão com a esposa dentro rumo ao hospital, apareceu o esposo explicando que nem fica perto quanto ela está em crise, pois é alvo de agressões, o motorista apareceu subitamente no banco do automóvel, o policial ficou lá papeando sobre o ocorrido e rindo de certas situações que certos profissionais são obrigados a enfrentar na sua rotina diária.   

Enfim uma situação muito inusitada e constrangedora para esta profissional, mas valeu, pois a esposa doente foi ao Hospital, fez o tratamento e saiu da crise, pelo menos por um tempo.

Foi uma grande experiência aprendida com esta situação inusitada. 

Estes são apenas algumas das situações enfrentadas no cotidiano destas profissionais no DAEE e em suas áreas de trabalho, mas nem tudo é só dificuldade, há também momentos de muita cumplicidade, parceria, apoio, reflexão e amizade (e aprendizado) entre este profissional e aquele a quem se propõe a auxiliar nas suas situações de cunho bio-psico-social.  

 Segue para aqueles que querem conhecer mais um pouco desta profissão as suas atribuições:

ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL:

De acordo com a lei 8662/93, que regulamenta a profissão de Serviço Social, em seu artigo 4º, constituem competências do assistente social:

I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;

II – elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;

III – encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;

IV – (Vetado);

V – orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;

VI – planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;

VII – planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;

VIII – prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;

IX – prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;

X – planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social;

XI – realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.

Já o art. 5º da referida lei aponta as atribuições privativas do assistente social. Ou seja, somente o profissional de Serviço Social pode executar tais atribuições. São elas:

I – coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social;

II – planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;

III – assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social;

IV – realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;

V – assumir, no magistério de Serviço Social tanto em nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular;

VI – treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;

VII – dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação;

VIII – dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social;

IX – elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social;

X – coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;

XI – fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;

XII – dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;

XIII – ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. (Fonte: http://www.assistentesocial.com.br/)

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1 Comentário »

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  1. Dia do Assistente Social, linda homenagem, o trabalho muitas vezes era árduo, mais
    gratificante.


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