Acompanhado e conhecendo a história da Autarquia desde 1970, a socióloga, assistente e secretaria: Maria Efigênia do Nascimento.

28/03/2012 às 12:37 | Publicado em Sem categoria | 1 Comentário
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Esta nossa servidora que não aparenta a idade que tem, está no DAEE desde 1970. Ficou afastada por um período pequeno após se aposentar, mas foi contratada e hoje se sente cada vez mais ligada ao DAEE. Brinca que já viu cada coisa e por quantos governos passou, conhecendo tudo e todos que por aqui passaram.

Sua história: antes de vir para o DAEE, atuou como professora primária junto a uma escola pública denominada Escola Estadual Rui Bloem. Este escola está localizada hoje onde é o Klabin, antiga Comunidade do Vergueiro. Já na sua época, então com 18 anos, era uma região carente e sem muitos recursos, mas que os alunos apesar disso eram educados e cordatos, respeitando os professores, coisa que infelizmente ela não vê hoje.

Atuou também junto a uma escola de surdos-mudos na Aclimação. Aprendeu a linguagem dos sinais e muitas outras coisas com estas duas experiências na área do magistério.

Talvez, não sabe precisar, escolheu a faculdade de sociologia, tendo como base estas duas experiências anteriores e também por ideologia, nunca por dinheiro ou para ter lucros e ficar rica com a profissão.

Diz que no DAEE, por ser questionadora, e interessada nos serviços prestados pela Autarquia a sociedade, seus chefes e pessoas com as quais convivia orientavam-na a optar por outras profissões. Dr. Sidney Camargo – Diretor da Área de Recursos Humanos a orientava a fazer direito e o Dr. Yamaguchi a fazer engenharia para ter um futuro e renda melhor. Brinca que a escolha pela sociologia é porque esta profissão é um híbrido destas duas, ambas tem por objetivo o melhor para a coletividade.

Lembra-se da sina que foi para poder estudar, pois o pai muito simples, não achava necessário que ela estudasse, isto era comum na época. Caçula de 10 irmãos, era muito paparicada por todos, e estes com certeza a sustentariam dentro daquele padrão, mas ela queria mais, portanto estudar estava dentro dos seus planos.

Brigou para estudar, mas valeu a pena, com o tempo,  pai e irmãos se orgulhavam disto. Sua origem  Pai,  mineiro e mãe paulistana, reforça que seu avô foi capataz, e sua avó escrava, portanto o tema scravidão foi muito próximo a ela e considera que estes aspectos de sua origem foram lhe formando o caráter: guerreira e contestadora. Aos 10 anos já afirmava ao pai que não iria ser costureira como as mulheres da família, iria estudar. Seu pai faleceu aos 90 anos e ela tem excelentes recordações dele e da família com a qual adora conviver fazendo questão disto sempre.

Mas retornando ao DAEE, entrou para trabalhar aqui em 1970 para atuar junto a Folha de Pagamento. Sua chefe Maryse enérgica e competente, indicou-a para trabalhar com Edir Braga Ribeiro, atleta campeã, de uma sabedoria ímpar, e com uma experiência incontestável na então Folha de Pagamento do DAEE .

Neste mesmo período cursando sociologia na Faculdade de Sociologia e Política, eram anos de manifestações contra o governo militar, perseguições políticas contra estudantes, jornalistas, professores e os orientadores dentre eles Darci Ribeiro, Fernando Henrique Cardoso, com quem teve o privilégio de participar de “reuniões proibidas”. Foi um período rico, mas devido a estes fatos transferiu-se para Faculdade São Marcos, onde o clima era mais ameno, finalizando seu curso com licenciatura plena e bacharel. No curso era a mais jovem e única negra, se orgulha disto.

Formada foi para a Procuradoria Jurídica, a pedido do Capitão Noray de Paula e Silva. Aprendeu bastante nesta área. Era um período de mudança governamental, dificuldades, clima tenso. O Capitão Noray lhe afirmou: “Se em 30/3/75 eu ainda estiver no DAEE a senhora vai virar socióloga”. E foi o que aconteceu, após 06 meses de sua formatura passou a assumir um cargo técnico na sua área.

Adorou atuar com o pessoal da área de eletrificação rural, pois o tema lhe era peculiar, educação cooperativista, contestação, melhorias para o pessoal da área rural, novos empreendimentos para estas pessoas, necessidade de convencimento, enfim uma mudança sempre para melhor era um segmento do qual o DAEE fez parte.

Junto àquele grupo atuava com o José Enaldo Paes Leme, engenheiro da eletrificação rural, e se predispunham a ministrar aulas de história nos finais de semana para este público.

Já no ano de 1980 até 1982, foi para o Centro Tecnológico de Hidráulica, atuar sob o comando e a pedido do Dr. Rubem La Laina Porto. Ele um técnico muito qualificado, queria democratizar um pouco mais aquela diretoria, tida então como eminentemente técnica. Foram para lá ela e Ana Maria outra socióloga. Fizeram alguns estudos, entrevistas, análises, colaborando com a implantação do refeitório destinado aos servidores, entre outras coisas.Neste período aprendeu a ver a unidade de outra forma, não tão elitizada como poderia parecer a principio, e com pessoas comuns com necessidades e anseios comuns como qualquer outra do DAEE. Retornando a sede em 1982 e estando no RH, sob a coordenação do Prof. Checon começa a avançar e ela juntamente com o Galileu, Ana Maria, e Joana Neide, contribuiram para isto e com o João Roberto da Silva Costa, o SRH se tornou mais moderno e eficiente valorizando as pessoas, e lá estava ela também.

Lembra-se com carinho e respeito, dos Superintendentes a quem esteve subordinada: Renato Della Togna, Marcelo Orestes Bogaert, Dr. Yasbek, Carlito Flávio Pimenta mas sobretudo do Capitão Noray – assistente deles, e Diretor da Diretoria Administrativa. Este último apesar do jeitão austero e direto, com seu estilo militar foi uma pessoa de quem se recorda com carinho e admiração, pois sempre lhe ensinou muito e ajudou quando precisou. Segundo ela, ele tinha contato direto com os Governadores, o que trazia sempre benefícios ao DAEE.

No caso do Capitão Noray lembra-se que após entrar no DAEE em fevereiro de 1970, fez um concurso para a SUDELPA e passou. Sua chefe na época pediu ao capitão Noray que a mantivesse nos seus quadros, pois era boa servidora. Em setembro do mesmo ano teve uma promoção que a fez ficar de vez na Autarquia. Deste ainda lembra-se da suas ideias e visão de futuro, pois numa ocasião onde o DAEE precisava contratar operadores de máquinas e não conseguia, ele lhe disse “contrate mulheres, qual o problema?”. Ela infelizmente teve que lhe dizer que naquela época isto não era possível devido à legislação, hoje isto não existe mais. Pelo jeito este Noray enxergava longe.

Atuando na área de treinamento, juntamente com Maria Tereza Casulo, Maria Helena Frias, Sandra C.Lopes, Leila Chiara, Ana Maria N. de Carvalho, Mauro de Carvalho, ministraram e capacitaram muitos servidores. Lembra-se ainda do Prof. Checon que tinha em mente a importância dos treinamentos e apoiava muito a área.

Com a saída da responsável pela Área de Treinamento Ana Maria, Efigenia passou naturalmente a coordenação da área.

Em 1983 lembra-se dos treinamentos no DAEE referentes à descentralização, devido à criação das bacias hidrográficas.

Cabia a esta área organizar simpósios, congressos, eventos para discussão sobre gestão dos recursos hídricos. Em, um desses eventos específicos, um Seminário importantíssimo à área, trouxe um especialista da França que viria falar sobre manejo de Bacias hidrográficas. Para que este profissional viesse ministrar aula/palestra fazia-se necessário vários trâmites burocráticos e não havia tempo para isso mas sempre existia o “tem que ser” , o técnico veio, e o evento realizado em Piracicaba foi um sucesso.  

Comenta das situações das quais fez parte e se orgulha: colaborar na participação de técnicos do DAEE para operacionalização do Radar Meteorológico instalado em Ponte Nova, acompanhar a confecção da maquete do Parque Ecológico do Tietê, dos modelos reduzidos lá no CTH, treinamentos no Campo de Pesquisas de Pindamonhangaba, nascimento das sedes para implantação das bacias hidrográficas, construção e crescimento das barragens na região de Mogi das Cruzes, e ufa! o tampão no Rio Tamanduateí , e a tão esperada Lei 7663/91, entre outros.

Apesar de todos esses avanços, em 1995 por necessidades pessoais (tinha duas filhas menores sob sua guarda e não tinha com quem deixá-las, já que o período da creche já tinha passado) optou por se aposentar. Imediatamente foi trabalhar num escritório de um amigo advogado por meio período podendo assim conciliar a jornada de trabalho com a criação das filhas.

Ficou por lá por 3 anos, até que em 1988, foi convidada pelo então Diretor da DSD, Fernando Silveira Queiroz a retornar ao DAEE e ser sua assistente. Topou.

Desde então atuando nesta área já trabalhou com o Fernando, João Gabriel Bruno, e atualmente está sob a coordenação de Nelson Garbelotto Diretor desta Diretoria (DSD).

Atua como assistente e secretaria organizando processos, contratos, atendendo telefones, agendando compromissos, despachando, enfim a rotina da área.

Gosta de atuar na DSD, pois o chefe (Garbelotto) é ótima pessoa e profissional, gosta desta área e das atividades, conhece muito bem o DAEE e seus trâmites, se relaciona bem, e nesta área não tem rotina.

È muito grata ao DAEE e o bem maior é ter conquistado o carinho de grande parte dos funcionários para os quais pôde colaborar com o crescimento por isso encontra com vários deles chamando-a de madrinha e isto ela acha o máximo.

Na vida pessoal, foi casada por 2 anos com um arquiteto de nacionalidade argentina. Morou naqueles pais, e lá aprendeu os hábitos, a linguagem, a cultura. Ele infelizmente é falecido.

Cuida de suas duas filhas (alias sobrinhas que cuida e ama como filhas, pois teve a guarda delas desde muito pequenas)  Juliana hoje com 25 anos e Thais de 24, ambas formadas respectivamente em Direito e Hotelaria.  Não se considera uma mãe repressora, mas firme em suas atitudes. Tem um excelente relacionamento com as meninas.

Hoje com seus 62 anos (segredo) faz juntamente com as meninas um trabalho voluntário junto à comunidade de Heliópolis. Pelo jeito retornando a suas origens de professora e socióloga, como nos velhos tempos.

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  1. A nossa querida Efigênia não é só mãe das lindas Juliana e Thais, mas é mãe e conselheira e tantas pessoas que já passam por ela. Sou grata a Deus por conhece-la e poder contar com sua amizade, especialmente durante os 10 anos que estive no DAEE. Fabiana Zanquetta de Azevedo.


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