O Trabalho voluntário e a aposentadoria,por: Maria Cristina Dal Rio

20/01/2012 às 13:18 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Após muitos anos de trabalho chega o momento da aposentadoria, de afastar-se do mundo do trabalho. Pensar em aposentadoria quando se está trabalhando é sonhar com um tempo desejado. Representa liberdade para fazer o que, como e quando se quer, ser dono de decisões e do próprio tempo. Mas, afastar-se do mundo produtivo configura-se como uma passagem, uma mudança que exige uma nova organização de vida. Observa-se cada vez mais um número crescente de aposentados buscando formas alternativas de vida que os mantenham ativos, participando de trabalhos sociais, educativos, de lazer, de atividades políticas, sindicais, em associações de classe ou retornando ao trabalho remunerado ou voluntário.

O trabalho voluntário tem atraído todas as gerações, mas é cada vez maior o envolvimento de pessoas que estão na terceira fase da vida, geralmente já aposentadas. O afastamento do trabalho e a diminuição das obrigações familiares fazem com que possam dispor de mais tempo livre, o que, em contrapartida, deixá-las-ia mais sujeitas aos sentimentos de solidão e inutilidade e isolamento.

O tempo do pós-trabalho, que ocorre em uma fase amadurecida da vida, pode ser uma oportunidade de exercer atividades comunitárias e ajudar ao próximo. Busca atender valores religiosos, necessidades pessoais de crescimento, retribuir o que se recebeu, dar continuidade ao trabalho, às vezes precocemente interrompido pela aposentadoria, passar adiante o legado profissional, manter fontes de prestígio e poder, exercer a cidadania.

Em contrapartida, o voluntariado proporciona prazer, gratificação, realização, troca e reconhecimento social que alimenta a auto-estima e redunda em desenvolvimento e projeções pessoais.

Estas ações estão ligadas à solidariedade, que na natureza humana é a capacidade de agir em benefício do outro. A disponibilidade para este tipo de trabalho decorre de um sentimento altruísta, mas, mesmo sem se dar conta, o voluntário recebe algo em troca. Ser solidariamente ativo abre a possibilidade de continuar o processo de realização e aperfeiçoamento enquanto ser humano preocupado consigo e com o próximo. Propicia, ao mesmo tempo, uma abertura para a comunidade e para o mundo, vencendo o individualismo e o isolamento, fatores muito presentes no pós-trabalho.

Pode-se considerar o trabalho voluntário realizado pelos aposentados como uma das maneiras saudáveis de viver o momento da aposentadoria, pois possibilita recriar o presente efetivando um novo projeto de vida, estimula a cidadania e contribui para desqualificar preconceitos em relação aos aposentados e velhos. 

 Maria Cristina Dal Rio -Assistente social, especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, mestre em gerontologia pela PUC-SP.

Primeira classificada no 3º Prêmio Banco Real Talentos da Maturidade, na categoria monografia. Autora do livro O trabalho voluntário: uma questão contemporânea e um espaço para o aposentado.

Docente em cursos de aperfeiçoamento em Gerontologia Social no Instituto Sedes Sapientiae, na Faculdade Paulista de Serviço Social, na Universidade Gama Filho e em Universidade Aberta para Terceira Idade na UNIFESP.

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