Sebastião Aparecido da Silva – ou “Taubaté”:O nosso transportador de carretas no DAEE.

26/12/2011 às 15:45 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Geminiano, nasceu em 08/06/1956, na Fazenda Monteiro Lobato,em Taubaté. Seu pai fazia manutenção geral no local, como cercas de arame, etc. Viveu lá até os seis anos de idade; depois, passou a morar em Tremembé. Sempre viveu na região do vale. 

“Taubaté”, assim que é muitíssimo conhecido, é pai de cinco filhos, avô de dois netos, e demonstra carinho bastante especial por Camila, 21 anos, solteira, a caçula da turma, porém explica ser essa filha número cinco a quem abraçou ao se casar pela segunda vez; sua esposa é Silvana, sua companheira há 21 anos. 

O seu apelido “Taubaté” tem uma história interessante: quando trabalhou como Motorista do Chefe de Gabinete, no Palácio do Governo, na época do Quércia, havia muitos funcionários que também se chamavam Sebastião, e esse fato provocava muitas confusões; uma dessas foi quando o chamaram pelo rádio, o que era comum, mas ele não atendeu porque nem pensou que seria ele próprio o solicitado. Foi a partir daí que decidiram lhe dar um apelido, consultaram-no e ele aceitou com a condição de que não fosse “marcha ré”. O nome escolhido acabou sendo “Taubaté”, por ele ser desta região e hoje, além do DAEE, até pelas redondezas onde mora é só assim conhecido; algumas vezes, até para fazer crediário utiliza esse apelido, brinca. 

Primogênito, dentre os seus quatorze irmãos, precisou trabalhar na roça desde os sete anos de idade e, com seu pai, desenvolveu vários serviços como Pedreiro. Aprendeu muito na vida à duras penas, não só pela necessidade, mas também porque sempre gostou de trabalhar. Conta que dirige camionete (antiga rural) desde os oito, ou nove anos. 

Seu pai já é falecido há quinze anos e, hoje, já não tem muito contato com sua mãe, que se casou novamente, com os seus irmãos, com seus quatros filhos frutos do seu primeiro casamento, nem mesmo com os seus netos. 

Embora transparecendo modos rústicos ao falar, o que se nota é que Taubaté, na verdade, é uma pessoa bastante afável. Ele explica que o fato de ter necessitado trabalhar desde muito cedo, não tem grandes recordações de sua infância; o seu lema sempre foi o trabalho em si, trabalhar muito e sem ter que prejudicar quem quer que seja para gozar alguma vantagem. Demonstra-se muito seguro de sua honestidade e faz questão de dizer que não manda recados quando necessário expor o que pensa. É assim que ele mesmo se orgulha de ser e se emociona muito ao nos contar que sua “quinta filha”, a caçula, herdou as exatamente as mesmas características de sua personalidade, o que lhe enche de satisfação. 

Taubaté é daqueles que gosta de entrar bem cedo no serviço, fazer o que tem que ser feito, sem rodear, e sair cedo. Esclarece que não fica “enrolando” no serviço para mostrar o cumprimento do horário; também não se importa de trabalhar aos sábados e domingos, quando necessário. 

Admitido como Operador de Máquinas Rodoviárias, mas dirige carretas de 25 metros por todo o Estado de São Paulo, realizando transporte de máquinas e, muitas vezes, chegando a embarcá-las ou até mesmo desembarca-las da carreta, sem quaisquer receios de realizar esses serviços, ao perceber que o Operador está com dificuldades; é aí, com a confiança que lhe é peculiar, que solta à rampa no chão e sobe na máquina, amarrando-a com uma corrente para que a mesma não caia da carreta; em seguida, dirigindo a carreta, faz o transporte da máquina para o local onde o serviço deve ser realizado. A máquina da carreta chega a pesar 70 toneladas, esclarece Taubaté. São esses os seus serviços, “puxar” a máquina levando-a ao local onde será efetuado os trabalhos de desassoreamento dos rios; os Prefeitos dos Municípios enviam a solicitação ao Governador, mediante Ofício, o qual autoriza a máquina do DAEE a ficar à disposição daquela Prefeitura. Ao DAEE compete verificar se os serviços estão sendo realizados e, ao término, informar à Prefeitura sobre isto e solicitar o recolhimento da sua máquina utilizada na obra. 

Na sua trajetória, alguns acontecimentos ficaram registrados em sua lembrança: certa vez, conta, a máquina com a carreta tombou, assustando todos que presenciaram a cena, no entanto ele, ao perceber que acorreria a queda pulou antes da altura onde estava caindo no sentido contrário e se desvencilhando do perigo de ser ali “amassado”; levantou-se sacudindo o corpo, a roupa, para o espanto de todos, sem nenhum abalo ou arranhões.  Numa outra situação, durante um mês e meio, deixou sua marca ao colaborar nos trabalhos de recuperação da cidade de São Luiz do Paraitinga: dirigindo tanto máquinas do DAEE como também do DER (Departamento de Estradas e Rodagem), e até particulares, chegou a transportar defuntos.  Também se recorda quando, em terras da Serra de Ubatuba, com divisa em Taubaté, quatro mortos estavam sendo transportados em redes por bombeiros da região; buscando auxiliar da melhor forma, ele ajeitou os corpos na carreta que dirigia, transportando-os aos locais para os trâmites de velório. Outro fato ocorreu por volta de 1983, quando atuou junto a Serra de Campos de Jordão, abrindo estradas, alargando a estrada que sai da Cidade de São Bento e que vai até Campos de Jordão; nessa atividade, que durou anos, trabalhou em sistema de rodízio com o DER. 

Enfim, Taubaté conclui que, aos seus dois filhos homens sempre instistiu em pregar o valor da honestidade como característica principal do ser humano. 

Dentre os vários colegas do DAEE que conquistou aos quais tem grande apreço, ressalta sua afeição especial pelo Eng. Mostarda, atual Diretor da Bacia, e também ao Dr. Alfredo (Campo de Pesquisas). 

“Eu sempre procuro um meio de trabalho que facilite e agilize a tarefa que tem que ser feita, com raciocínio rápido”, cita Taubaté e ainda continua: “Se tenho que levar quatro cadeiras, não precisa ser uma a uma, se puder, posso junta-las todas e transportá-las de uma única vez e cumprir o meu serviço”. 

Taubaté, com simplicidade, ainda faz questão de mencionar que nada tem a reclamar do DAEE e que sempre o enxerga com “bons olhos”, embora, complementa, nem sempre há recursos suficientes para a realização dos trabalhos e que sempre é necessário que se tenha um respaldo, uma Chefia que “segure a bucha”, evitando questionamentos, “dores de cabeça”, problemas futuros. 

Este é o nosso Taubaté e com a cara do DAEE, sempre disposto a trabalhar, sem rodeios, ágil, direto, honesto e cheio de gás (no bom sentido). 

 

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