O trabalho de um barqueiro no DAEE salvando vida nas enchentes por Rivau de Freitas

03/10/2011 às 19:37 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Rivau de Freitas, hoje com 58 anos, foi admitido no DAEE em 01/5/75, portanto há 36 anos para realizar serviços braçais. Fez inscrição num período onde havia muito serviço e a contratação para este tipo de atividade braçal, não era difícil. Fez a inscrição e começou logo a trabalhar na parte de sondagens, fazendo picadas (abrindo caminhos, valas), enfim trabalho duro. Seu chefe Adilson Iragy Passareli.

Depois desta atividade foi transferido para equipe de obras, que iria ser responsável pela construção do conjunto residencial para moradia dos engenheiros que atuariam na BRB – Registro.  Hoje este local é utilizado para escritórios e dependências administrativas, além de algumas casas serem cedidas a outros órgãos públicos que atendem a população de Registro, e onde se localiza a oficina mecânica, veículos e maquinas da unidade.

Como estava estudando o ginásio, foi transferido posteriormente para o almoxarifado, por onde atuou por 18 anos, área da qual gostou muito.

Chegou a cursar o 2º Ano de Contabilidade, mas como casou em 1979, e com as despesas e encargos familiares, parou os estudos. Diz que foi um pouco folgado e que podia ter insistido um pouco mais e isto o teria ajudado, mas agora não adianta reclamar.

Em 1982, com a mudança do Governo, e a alteração do novo Diretor houve uma grande mudança na administração do Vale do Ribeira, o novo Diretor Guerer – um alemão.  No seu caso foi trabalhar internamente na parte de Finanças com Sergio Guilhermino.

Após isto foi para o setor de transporte atuar com José Roberto Casalle, engenheiro responsável pelo atendimento aos municípios.  Esta área é responsável pelos veículos do DAEE, máquinas, manutenção da sede, etc. A equipe é formada por profissionais como eletricistas, motoristas, mecânicos, operadores de maquinas, etc. Segundo ele “é uma equipe que  ganha pouco, mas que  trabalha e se diverte muito”. É o responsável por esta equipe, serviço do qual gosta muito e tem total liberdade pra agir e decidir, pois o Eng. Casalle, é uma pessoal ótima pra se trabalhar.

Mas além de tudo isto, algo que nos chamou atenção neste bate papo foi o fato deste servidor ter nos contado que além destas atividades, sempre executou outra tarefa no DAEE, a de barqueiro. Vindo do Paraná aos 07 anos, cresceu na cidade de Registro, portanto se sente nato daquela cidade.  Por também residir à margem do rio, aprendeu a utilizar o barco, para ir à cidade, fazer compras, transportar pessoas, levar crianças a escola e até mesmo não ficar ilhado nos casos de enchentes, pelas quais já passou por várias, conhecendo bem esta situação e sentimento.

Este ofício aprendeu na prática, depois foi aperfeiçoado, tirou a licença da Marinha (RAIS) e passou a realizá-lo no DAE, faz isto por mais de 20 anos com a embarcação, prestando serviços nas enchentes – coopera com o pessoal da Defesa Civil.

Neste trabalho, barqueiro ou popularmente conhecido como “piloteiro”, auxilia equipes, percorre os rios à noite, vai a locais longínquos levando bombeiros, médicos, enfermeiros, profissionais da Defesa Civil, vão até as casa de bombas realizarem consertos, etc.

Uma experiência marcante pra ele foi uma enchente em 1997 quando retornava de uma margem do rio com uma família com cinco crianças e retornava para buscar outra. O barco bateu em alguma pedra ou tronco e ele caiu. O rio estava com a correnteza forte, as águas agitadas e turvas. Havia umas 200 pessoas na margem do rio olhando tudo e ele conseguia ouvir: “o piloteiro do DAEE caiu e se afogou”. Via também que seu filho, que também estava por lá, tentava a todo custo pegar um barco para ir salvá-lo, mas a população não deixava, tentando impedir que a situação piorasse ainda mais, pois ele estava de cabeça quente e emocionalmente muito abalado.

Enquanto isto ele ia ao fundo do rio e pensava: ”Meu Deus, não sei se chegou minha hora, se chegou eu aceitou. Porém se não chegou, eu vou lutar muito pela minha vida”. Como nadava desde pequeno e muito bem, tentava de todo jeito subir para respirar até que conseguiu. Mesmo conseguindo boiar, tentava um jeito de chegar ao barco ou as margens. Foi quando por um milagre o barco bateu em algo, e subitamente deu meia volta e veio retinho na direção dele, que pegou na sua borda e subiu. Ele respirou fundo, agradeceu a Deus e retornou ao trabalho. Trabalhou até as 22h00min horas naquele dia.

Conta esta história emocionado, diz que racionalmente pensa que a hélice do barco, deve ter batido em algo que a fez retornar ao ponto de origem, mas em seu coração acha que Deus lhe deu nova chance de continuar seu trabalho de ajudar nas enchentes, o que ele faz com muito prazer, pois gosta do seu trabalho, sente orgulho do seu oficio, do que conseguiu do seu trabalho e teria o maior prazer em ensinar o oficio de barqueiro (ou piloteiro) aos mais jovens no DAEE que queira continuar com esta missão.

Rivau é casado com Zeli, tem 03 filhos: Giovana, Gessiani, Givalenir, 04 netos, e curte seus finais de semana com a família num sitio na margem do Rio Jupiá, local que, por coincidência, só se chega de barco. Ele ama tudo isto.

Em tempo, pelo que consta ele é o último barqueiro do DAEE, alguém se habilita a aprender o oficio? Ele ensina.

Abaixo maquinário da unidade de Registro com drag lines e outras máquinas que são cedidas as Prefeituras para obras e a equipe que atua junto ao Sr. Rivau (motoristas, eletricistas, mecanicos) na BRB.

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