Um Herói do DAEE nas Enchentes do Vale do Ribeira – Totó (Antônio) Muniz.

15/09/2011 às 21:38 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Antônio Muniz, 86 anos, admitido em 10/8/1973, aposentado em 1985, nascido e criado em Registro, foi visitado por nós em sua residência, considerando que é muito respeitado e querido pelos servidores da BRB – Bacia do Vale do Ribeira e ainda, segundo eles tem um caderninho onde guarda todos os registros do seu tempo de trabalho.  

Estivemos na sua residência, na qual nos contou muito saudável aos seus 86 anos, que trabalhou na área rural (roça) quando jovem, mas depois ao ficar mais velho veio a cidade e montou um comércio na cidade de Registro, local onde se deu seu contato com os técnicos do DAEE, especialmente os topógrafos que iam a cidade fazer os serviços e compravam mantimentos na cidade. Em especial o topógrafo de Itanhaém Éneas Leite Neto, que além de deixar algumas mercadorias no armazém dele, ás vezes ainda ele o indicava aos outros comerciantes locais para que vendessem fiado, pois ninguém o conhecia por lá. Foi crescendo assim uma confiança e amizade. Porém apesar de gostar de trabalhar no comercio, depois de um período de dificuldades e da enfermidade da esposa onde ficou 15 dias sem trabalhar para cuidar dela, começou a passar apuros.

Foi então convidado pelo topógrafo Éneas ai fazer um teste no DAEE para o cargo de auxiliar de topografia. Tinha experiência com isto, pois ao fazer um inventário de uma fazenda a família, aprendeu fazendo junto com o profissional que cuidou disto pra família.

Tendo feito o teste, passou, mas o Dr. Zadra, quando pegou sua carteira profissional viu sua idade 48 anos, e disse: Ah assim não dá, a idade não é boa não. Nem pensar. Mesmo assim você vai pra São Paulo e vê o que o pessoal do Departamento de Pessoal diz. Foi à mesma coisa, nem pensar, a idade é muito alta. Voltou desiludido.

Passado alguns meses, os técnicos do DAEE voltaram a convidá-lo a fazer novo teste ao que ele disse, mas eu já fiz, tenho o protocolo do teste aqui e que fui aprovado, mas a idade me impediu de trabalhar. Eles resolveram conversar com algumas pessoas e em poucos dias ele estava contratado, afinal não há limitação de idade pra trabalhar no estado.

De 1974 a 1978 trabalhou junto com o Eng. José Roberto Casalle – grande engenheiro agrimensor, responsável pelo levantamento batimétrico, topográfico da barragem do Valo Grande, entre outras obras. Excelente profissional, ótima pessoa, onde o respeito e confiança eram reciprocas.

Contratado como feitor, que segundo Aurélio é: Administrador de bens alheios, gestor, Superintendente que distribui e fiscaliza o serviço de trabalhadores, particularmente escravos; capataz” Esta definição antiquada do Aurélio não serve para definir o cargo no Estado, pois aqui ele era uma espécie de encarregado de turma, pois sua equipe era composta de vários profissionais como ele que passavam a semana toda fora de casa, em alojamentos, fazendo o levantamento topográfico, batimétrico, medindo vazão, a profundidade dos rios, etc. Mas ele não só dava ordens, fazia junto com a equipe. Certa vez ao chegar um empreiteiro na obra perguntou pelo encarregado, ao ser indicado pelo funcionário, este disse: – Mas este não é o encarregado, é só um empregado, tá fazendo baliza com os outros. Mas ele não se importou se apresentou ao empreiteiro, e depois continuou fazendo os serviços com os demais. Orgulha-se de ter sido um chefe assim. Fez vários cursos depois uns no CTH, outros em vários locais, tornou-se um profissional de topografia ainda melhor.  

Mas falando em orgulho, Senhor Totó, tem uma agenda, na qual guarda todos os dados da sua vida funcional, datas, nomes de chefes e ainda vazão de rios onde trabalhou desde muitos anos atrás. Fiquei impressionada e perguntei por quê? Ele disse que gosta e que se orgulha do que fez.  Fizemos questão de escanear à agenda com as datas da vazão dos rios, para vocês verem.  Lembra-se do Dr. Shibata, Dr. Grapeggia, Topografo Éneas, Airton Coimbra, Maebara, citou inúmeros diretores do Vale do Ribeira, inúmeros outros com os quais trabalhou, não dá nem pra escrever aqui.

Das obras por onde passou cita Valo Grande em Iguape, depois a favela México 70 em Cubatão por onde ficou 01 ano, fazendo o trabalho de topografia, no Município de Peruíbe onde auxiliaram na Campanha de Encefalite em 1975, em Marilia em 1976 para construção parece que da CEF num local proxima a uma mina num campo pertcente ao MAC, em Piraju onde fizeram o nivelamento para construção da sede, em Cananéia na limpeza de um canal para prevenção de um surto de encefalite e outras mais. Puxa o DAEE já fez muitas coisas e os servidores idem.

Mas o mais interessante veio ao final da entrevista, perguntado sobre algo importante da sua carreira afirma que tem coisas que nunca vai esquecer, pois além de topografo, atuava também como barqueiro (ou piloteiro) conduzindo os barcos do DAEE nas enchentes e ajudando a salvar vidas. Nestas ações chegou a ver muitas pessoas sofrerem com a perda de casa, gado, terra, plantações, tudo, enfim coisas que não se esquece.  

Interessante é saber também que o DAEE realiza esta atividade de salvar vidas nas enchentes através destes profissionais o que merece destaque, pois estes se arriscam ao realiza-lo, além da atividade ser gratificante para quem a realiza e gosta do que faz, como é o caso do servidor em questão.

Diz que numa destas ocasiões, acho que no ano de 1978, quando pilotava o barco num evento de fechamento da barragem, houve o tombamento de uma barcaça com pedras, o que desequilibrou um barco com funcionários de uma empreiteira que como eles estavam no local (água), observando e acompanhando tudo.  

Ele diz que teve uma presença de espirito, que num piscar de olhos, pegou a pessoa que caiu na agua, pelo cabelo e o puxou para dentro do seu barco. As águas estavam agitadas, a corredeira puxando, a profundidade das águas que eram fundas. Caso ele não tivesse esta rapidez, o funcionário certamente se afogaria. Este entrou no barco, ficou deitado por um tempo, quando se recuperou agradeceu muito.

Por este feito, já que havia muitas pessoas no local, fizeram uma reportagem na cidade, e ele foi agraciado com uma medalha e diploma dado pelo Sr. Governador, menções que ele guarda até hoje com muito orgulho. O filho que também é servidor do DAEE atualmente: Laerte Muniz (atua na área de Recursos Humanos da BRB) diz que o pai muitas vezes acabava de chegar do trabalho das enchentes lá pelas 22:00 horas, mal jantava e já vinha gente chama-lo de novo, e ele ia. Ao que ele respondeu-nos, não tinha problema, era meu serviço, tinha que ir mesmo.

O oficio de barqueiro, ele aprendeu na prática, desde 1957, com barco a motor no sitio. Neste atendia os moradores, pois tinha locais aonde só se ia de barco. Quando entrou pro DAEE, passou a pilotar barcos também, tirou a habilitação necessária junto a Marinha e conciliou esta atividade com a de topografo.

Totó Muniz é uma figura interessante, comunicativo, alegre, disposto, orgulhoso dos seus feitos, casado com D. Santina há 62 anos, 03 filhos (Laerte, Bernardino e Luiz já falecido) netos, noras, amigos. Tem realmente do que se orgulhar, pois chegar nesta idade, com tantas histórias, feitos e até atos de heroísmo para contar não é pra qualquer pessoa. Parabéns.

 

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