Admitido para atuar na Obra do Valo Grande, profissional tímido, porém empolgado na Diretoria do Vale do Ribeira: Eng.Gilson Nashiro.

14/09/2011 às 18:07 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Estivemos na BRB – Bacia do Ribeira e Litoral Sul – Registro, em setembro com o intuito de conhecer um pouco da história dos servidores daquela unidade, bem como da sede e dos serviços realizados por lá.

Nosso primeiro contato se deu com o Engenheiro Gilson Nashiro, Engenheiro civil, Admitido em 20/3/1979, então com 26 anos, recém-formado, contratado para atuar na Obra do Valo Grande. Nascido na Cidade de Ana Dias, Distrito do Município de Itarirí, próximo a Peruíbe, disse que a opção por engenharia se deu por influência do irmão (Nelson Nashiro) também engenheiro do DAEE e, ainda, pelo gosto pelas matérias da área de exatas.

Ao prestar concurso no DAEE, sua opção foi atuar na Unidade de Itanhaém, para ficar mais próximo à família. Porém, havia outro candidato com prioridade para esta vaga e foi então convidado pelo então Diretor da Unidade, o saudoso Dr. Luiz Shibata, a ir pra Registro, pois a Unidade de Registro precisava de alguém para atuar na obra da Eclusa do canal Valo Grande, que estava para ser iniciada. Aceitou prontamente.

O canal denominado Valo Grande localiza-se no Município de Iguape e foi aberto em meados do Século XIX para ligar o Rio Ribeira de Iguape ao Mar Pequeno com o objetivo de reduzir a distância de percurso das embarcações que seguiam transportando mercadorias e materiais diversos rumo ao então pujante Porto de Iguape. A obra que seria uma simples abertura de pequeno canal, com largura de 4m, transformou-se num dos maiores desastres ambientais do País devido à ação erosiva em solo de constituição arenosa, levando ao assoreamento das áreas à jusante e resultando num imenso “valo” de 200m de largura atualmente. Em 1978, o DAEE construiu a Barragem com o objetivo de restabelecer as condições de antes da abertura do Valo, mas com as ocorrências de inundações que se seguiram, obras de adaptação foram realizadas dentre outras ainda necessárias. É uma obra polêmica por ter o propósito de conciliar os interesses de proteção ambiental da área estuarina-lagunar situada à jusante com o de minimizar as enchentes à montante mediante o controle de vazão a veicular no Valo Grande.

É uma obra que inclui várias etapas e ele acha que vai aposentar e ela não estará terminada.

Mas entrar no DAEE foi muito bom, pois, além do desafio das obras, ele já foi fazendo logo de início cursos de capacitação que o ajudaram muito, como no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, ou vários outros no próprio DAEE, e trabalhando com técnicos como Wilson Waki, seu superior imediato na época, tendo a oportunidade de aprender com técnicos de outras diretorias, como o CTH, e também com renomados consultores como os professores Kokei Uehara e Carlos Pesce, entre muitos outros.

Aprendeu muito na fiscalização de obras contratadas e acompanhando convênios com prefeituras, questões envolvendo Ministérios Públicos, sempre ligados ao centro técnico. Em 1996 com a implantação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul o Diretor da Unidade, Ney Ikeda, foi designado seu Secretário Executivo, e com isso passou a participar também das atividades inerentes a essa secretaria, além de ter de acompanhar, como agente técnico, do desenvolvimento de muitos dos projetos e serviços aprovados pelo Colegiado.

Segundo Gilson, Ney é um Diretor exemplar, bom líder, muito competente naquilo que faz, comprometido, tanto que além de Diretor da BRB – Diretoria do Vale do Ribeira e Secretário Executivo do Comitê, foi por cerca de 20 anos Coordenador regional de Defesa Civil, cargo que deixou há pouco tempo. Cargo, diga-se de passagem, voluntário.

Mas, voltando aos Comitês de Bacia, a secretaria executiva é na grande maioria exercida por representantes do DAEE no Estado. O Comitê é um colegiado de composição tripartite com representantes do Estado, Municípios, Sociedade Civil Organizada, no caso do Ribeira com 14 membros de cada segmento, e por um acordo de cavalheiros, geralmente um Prefeito é o Presidente do Comitê, o Vice Presidente é alguém da Sociedade Civil, e o Secretário Executivo de um órgão do Estado, com gestão de dois anos. O Colegiado constitui legítimo fórum de discussão para tratar de assuntos pertinentes a Recursos Hídricos da região.

Pode-se dizer que a secretaria executiva tem a função de viabilizar administrativa e operacionalmente as decisões e tarefas definidas pelo Colegiado, mas também é certo que, na prática, desempenha o papel de indutor de muitas das iniciativas e, assim, contribui para o enriquecimento de discussões sobre ações e políticas importantes naquela bacia.

Mas voltando ao papel da unidade da BRB nas últimas cheias ocorridas naquela região, no final de julho e início de agosto, atípicas para o inverno, perguntei sobre o papel do DAEE nisto.

Ele disse que cabe ao DAEE, a partir do conhecimento do fato gerador (chuva intensa na Bacia), que normalmente já é aguardado com base nas previsões do tempo emitidas por centros de gerenciamentos meteorológicos e veiculadas pelos noticiários da grande imprensa, o monitoramento por meio da Rede Telemétrica do Vale do Ribeira, que coleta dados em 12 (doze) postos situados ao longo do Ribeira de Iguape e seus principais afluentes, operado da Sala de Situação recém-instalada, e as informações e dados são passados para subsidiar as ações emergenciais coordenadas pela Defesa Civil (Estadual, Regional e Municipal) e para o público interessado em geral.

E por estar à coordenação da Defesa Civil Regional sob a responsabilidade da diretoria da BRB, mantem na sede de Registro um estoque estratégico de cestas básicas, colchonetes, cobertores, roupas de cama e materiais de higiene destinados ao atendimento de desabrigados e desalojados, cujas distribuições são efetivadas pelas instâncias municipais de defesa civil.

Ele disse que nestas épocas, o DAEE, especialmente a Sala de Situação, fica uma “praça de guerra”, ou seja, é ligação telefônica o dia todo, ligam às assessorias do Governador, da Superintendência, o Prefeito, a Coordenação Estadual de Defesa Civil, a Imprensa, a população, enfim, todos querendo informações.

Perguntei se estes dados só estão disponíveis a partir da implantação desta sala, ele disse que não, na realidade a demanda e os procedimentos são históricos, pois a população da região sempre recorreu às informações do DAEE nessas ocorrências, muito antes da existência de qualquer sistema de informações, que começou a ser implantado no início da década de 80, porém agora tem estrutura mais moderna sintetizada na Sala de Situação.

Quis saber por que há sempre enchentes na região do Vale do Ribeira, se ele como engenheiro poderia me explicar.

Ele me explicou que decorrem de particularidades físico-naturais (geomorfologia, relevo, situação geográfica, ações climáticas influenciadas pela massa polar, etc.), que são agravados pela supressão da cobertura vegetal, e os impactos são sofridos pelos ocupantes das áreas de risco, que são as várzeas naturalmente sujeitas às inundações.

Gilson diz que trabalhar no DAEE pra ele ainda é empolgante. Por que pergunto? Atuo com muitas coisas: projetos, obras, prefeituras, convênios, comitê de bacia, audiências e debates públicos, etc., e acabo conhecendo e trocando experiência com muitas pessoas e técnicos, sempre aprendendo. Há também a parte diria “nada empolgante”: relatórios burocráticos, carência sistemática de recursos, falta de sequência em algumas atividades importantes, mas se for pesar na balança ele ainda diz que continua empolgado e desafiado no seu cotidiano. 

Gilson é casado com Sueli, tem duas filhas já formadas, uma em sistemas de informações e outra farmacêutica, ambas atuando em São Paulo, portanto longe dos pais.

Boa sorte pra elas e, que possam  continuar empolgadas e comprometidas como o pai em suas trajetórias profissionais. 

 

 

  

 

 

 

 

 

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