Um engenheiro preocupado com o impacto das obras no meio ambiente e na vida das pessoas, por José Roberto Micali.

17/05/2011 às 19:02 | Publicado em Sem categoria | 2 Comentários
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José Roberto Micali, nascido em Taquaritinga, interior de São Paulo, 03 irmãos, foi admitido no DAEE em 17/12/1979, como engenheiro.

Tendo vindo do interior, para estudar em São Paulo, na Universidade Mackenzie, disse que amargou muita solidão nos finais de semana, numa pensão na Liberdade, mas nada que não trouxesse muito aprendizado para sua carreira e vida. Dá muito valor aos pais que o apoiaram emocionalmente e financeiramente para poder se formar.

Antes de ingressar no DAEE, atuou na Construtora Mendes, que era responsável por fazer reformas, revestimentos acústicos para a Telesp. Ficou pouco cerca de um ano quando ingressou no DAEE. Começou atuando na Unidade denominada Vale do Tietê – Residência de Obras de Osasco, cujo Diretor era o Dr. Itizo Arai, e o Chefe das Obras era o Eng. Roberto Tito. Este último cuidava do desassoreamento do Rio Tietê da Barragem da Penha até a Barragem Edgard de Souza.

No inicio da sua atuação nas obras, disse que contou muito com o apoio dos saudosos Mario Gurgueira e Henrique Franceschi, pois estes com bastante experiência em obras, pois atuavam como fiscais de obra, o orientavam sobre o trabalho, considerando que tinham vasto conhecimento sobre o rio Tietê e seus tributários. Aprendeu muito com eles. Já na área interna do DAEE, relatórios, papelada, autos, burocracia, quem o orientou foi Roberto Tito. É grato a estes profissionais que o ajudaram no inicio da carreira.

Depois desta etapa na Residência de Obras em Osasco, passou a ser Responsável pelo setor de dragagem, serviços executados com Dragas do próprio DAEE. Essas máquinas pesadas operavam no desassoreamento rio Tietê, junto à foz de córregos, lago canal da barragem da Penha ou então através de convênios prestando serviços junto as Prefeituras do Interior e, Governo do Estado do Paraná, etc.

Numa destas ocasiões uma das dragas, através de convênio com a Secretaria de Transporte do Paraná, atuou no desassoreamento do Canal do Varadouro – uma antiga ligação marítima entre o litoral Norte do Paraná e o litoral Sul de São Paulo -, que nada mais era do que a operacionalização de uma linha de transporte de passageiros para percorrer o trajeto e outras ações de apoio e incentivo ao turismo de forma sustentável, com ênfase ao turismo rural. Como se tratava da maior área contínua remanescente de Mata Atlântica do país, protegida por 19 unidades de conservação de diferentes categorias, foram tomados todos os cuidados necessários para a preservação do meio ambiente, o que lhe deu um rico aprendizado e já uma pequena abertura e interesse pelo tema e preocupação com o meio ambiente.

Lembra ainda que foi no trabalho de desassoreamento do rio Tietê e sob sua responsabilidade, que se iniciou o primeiro pedido de insalubridade para o pessoal que trabalhava com as dragas. Lembra-se que os servidores trabalhavam até então sem todos os EPI – Equipamento de Proteção Individual específicos para os serviços, pois a legislação era incipiente ainda neste sentido. Mas pela realidade vista, fez o primeiro pedido aos Recursos Humanos que posteriormente foi enviado à Secretaria do Trabalho para avaliarem o caso do pessoal nas obras, que orientou sobre o tipo de EPI a ser utilizado nas dragas, concedendo aos funcionários o direito ao adicional de insalubridade.

Posteriormente atuou na canalização do Rio Cabuçu de Cima. Nesta obra fez vários contatos com a comunidade, que estava envolvida com a obra. Alias na sua sala tem fotos tanto de sua presença em inaugurações em obras no Rio Tietê com personalidades como o Governador Geraldo Alckmin e amigos da terceira idade moradores do Parque Edu Chaves nos arredores do Rio Cabuçu de Cima, com os quais fez amizade durante a obra mantendo até hoje. Seu ciclo de amizades como se vê é diversificado.

Após esta obra ficou atuando na Diretoria de Engenharia de Obras na Capital, quando foi convidado a participar de trabalhos junto à área de Gestão Ambiental das obras desta diretoria, em continuidade ao licenciamento ambiental das obras das barragens de Paraitinga e Biritiba-Mirim do Sistema Produtor do Alto Tietê-SPAT, já iniciados pela Eng.ª. Roselanea (atualmente em Taubaté).

Como era uma área nova teve que suar a camisa estudando muito. Começou fazendo um curso de Direito Ambiental – Pós Graduação, que lhe foi muito importante. Todo este arcabouço foi útil para posterior criação da Equipe de Gestão Ambiental – que atuaria na gestão ambiental da Calha do Tietê.

Inicialmente esta equipe era formada por Micali, Júlio Astolphi, Tesini, Gilberto, Oscar, Isis, Lika e Cândida.

Na equipe, passou a elaborar relatórios de Gestão Ambiental das obras da calha do rio Tietê e barragens do SPAT, ofícios ao Ministério Público, Prefeituras, Secretaria do Meio Ambiente e IBAMA, além de manter o controle e organização de toda a documentação da área, trabalho muito bem feito sob coordenação da Isis e colaboração da Lika.

Segundo ele, hoje a concepção de uma obra de engenharia tem que levar em conta já na fase de planejamento o impacto ambiental, propondo medidas mitigadoras ou compensatórias, se for o caso, a serem apresentadas para o licenciamento ambiental das mesmas, através do. Estudo de Impacto do Meio Ambiente (EIMA) e Relatório sobre o Impacto sobre o Meio Ambiente (RIMA), documentos estes que são encaminhados a Secretaria do Meio Ambiente e servem para obter o Licenciamento Ambiental do empreendimento.

Como experiência profissional na área, citou a construção das Barragens de Biritiba-Mirim e Paraitinga, onde o EIA-RIMA considerou o impacto da obra no meio ambiente e na vida das pessoas. Este tipo de estudo envolve a análise do meio biótico (biodiversidade, animais, plantas) e antrópico (pessoas). No primeiro caso, houve a necessidade de estudo da biodiversidade da região que resultou na elaboração de Programa com o Resgate e Manejo de Fauna e Flora Silvestre, sendo necessário à contratação de empresa especializada no manejo da fauna e flora, que atuou nas áreas dos reservatórios através do desenvolvimento de programas de pesquisas envolvendo diversas áreas como avifauna, cervídeos, carnívoros, primatas, ofídios e artrópodes, pequenos vertebrados, banco de DNA, epidemiologia, resgate e relocação da fauna silvestre, conservação da flora, revegetação, caracterização botânica e aproveitamento da flora fanerogâmica, inclusive o levantamento arqueológico das áreas a serem inundadas.

Ainda nestas obras, para a relocação das pessoas afetadas foi desenvolvido programa em parceria com a FUNDUSP-Fundação da USP, que previu ações de amparo às famílias assistidas com o objetivo da orienta-las e ampara-las através de cursos, aluguel solidário, assistência jurídica, mantendo durante o processo de mudança escritório em Salesópolis com equipe multidisciplinar de plantão composta por sociólogo, assistente social e advogado, a fim de orientar os interessados.

Em julho de 2010, foi instituída a Assessoria de Gestão Ambiental, então sob a responsabilidade de José Fernando Bruno, sendo que atualmente a equipe é formada pelos engenheiros: Micali, Gilberto e Tesini, e também por Ademir (Gestor Ambiental); Vinicius (Biólogo); Claudia (Administradora de Empresas) e Maria Ap. Leandro (Gestão de RH).

Fora do trabalho, falou da atuação junto à assistência social de Centro Espírita na Casa Verde, onde participa como colaborador das atividades da casa, onde atuou, por 13 anos, na distribuição de sopa aos moradores de rua, todas as terças e sextas-feiras, tendo como lema ajudar as pessoas necessitadas.

Micali é um verdadeiro cara da sua geração, pois disse prezar muito o DAEE, agradece pelo seu trabalho, procura fazer sempre o melhor, quer inclusive fazer novos cursos nesta área, está acostumado a trabalhar com poucos recursos e além de tudo, atua junto a uma equipe muito competente, comprometida, unida e com muito trabalho no seu dia a dia.

Sucesso a todos e parabéns pelo trabalho realizado com maestria.

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2 Comentários »

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  1. Parabens MICALI pela grande pessoa que vc é, além da alta competencia como engenheiro do DAEE.
    grande abraço – SIQUEIRA

  2. Parabéns Engenheiro Micali!

    Não o conheço pessoalmente mas lembro-me que meu pai, Henrique Franceschi, falava muito de sua capacidade e do ser humano notável que o senhor é. Confesso que fiquei muito emocionada, pelo comentário acima sobre meu pai. Que Deus o abençoe não só por esse reconhecimento em relação a ele mas, por tudo em sua vida.
    Agradeço,
    Tina Franceschi


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