A economista que virou Presidenta, por Cândida Maria de Sousa.

29/03/2011 às 19:18 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Cândida Maria de Sousa, economista, 64 anos, está no DAEE desde 12/5/78.

Formada em 1973 como economista, iniciou atuando numa empresa privada, depois foi para SUDELPA – Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista, e posteriormente  para a Secretaria de Economia e Planejamento antes de “aportar” no DAEE. Na Secretaria de Planejamento atuou na coordenadoria de projetos, onde  conheceu Isabel Gouveia, Geógrafa que coincidentemente também viria para o DAEE.

Da sua infância lembra que estudou 12 anos num colégio de freiras no bairro onde nasceu, sendo que os três últimos com bolsa de estudos do MEC. Com os pais separados numa época em que isto era raro, havendo certo preconceito com estas crianças, comenta que a Diretora do Colégio Irmã Consolata, foi grande amiga e conselheira orientando e mostrando os caminhos que deveria percorrer para vencer.

Foi trabalhar para poder continuar os estudos, sendo orientada a cursar uma boa escola, a base de tudo. Assim sendo foi fazer o curso técnico de contabilidade na Escola Técnica de Comércio Alvares Penteado, no Largo São Francisco. Após o curso concluído fez o vestibular para o curso de ciências econômicas só pra poder praticar, passando em 12º lugar. O curso lhe abriu um leque de informações e possibilidades.

Alias época e lugar de grande efervescência, afinal final dos anos 60, com muitos movimentos estudantis, UNE – União Nacional dos Estudantes, rebeldia dos jovens contra ditadura militar, nova safra de música de protesto, festivais, muito agitação. Disse que adorou tudo isto, tendo participado desde o inicio de sua vida estudantil de vários movimentos:  estudantis, políticos, de organizações políticas e apolíticas, enfim sempre foi participativa neste sentido. Apesar do contra da família, quando lá no inicio disse que iria estudar a noite, deixando todos muito preocupados, principalmente a avó,  no dia da sua formatura estavam todos lá aplaudindo, afinal foi à primeira de toda família a cursar uma faculdade, motivo de orgulho.

Para ocupar a vaga de um economistas que saía do DAEE participou de processo seletivo, provas, testes e entrevistas.  No DAEE iniciou suas atividades na Divisão de Contabilidade e Finanças,  sob a supervisão de Meide Augusto Robes. Sua área era a orçamentária, onde fazia planilhas, processos para empenho – ou seja, pagar todos os serviços realizados pela Autarquia na época: contratos, prestadores de serviços, folha de pagamento. Conta que com sua colaboração e empenho conseguiu auxiliar a área a ser informatizada, pois através de um conhecido do DER trouxe este modelo já implantado naquele órgão público,  ao DAEE.

Neste época era assistente do Dr. João B. Netto, atuando na área de Recursos Humanos, despachando processos aos setores, etc. Durante este período foi criada inclusive uma caixinha que ajudou muitos servidores a pagarem suas faculdades. Utilizavam este recursos também para eventos,  confraternizações em sítios, Ponte Nova, sendo uma época muito boa e com amizades que perduram até hoje.  

Em 1987 passou a assessorar o então Diretor Financeiro Dr. Almir Ferreira de Sousa. Trabalhou com ele também dando suporte as ações da Diretoria e diz que aprendeu bastante com o mesmo, já que ele era um excelente profissional, além de professor da USP, sendo sempre uma liderança que dava o exemplo, orientação a seus subordinados, apoiando, incentivando sempre os servidores a participar de cursos de capacitação. Lembra-se dele com admiração. Comenta que certa época, quando começaram a aparecer os primeiros computadores, disse a ele que não queria fazer curso para aprender a mexer com eles, pois logo se aposentadoria. A pergunta dele a Cândida: “e ai vai aposentar e morrer, por isto não precisa aprender mais nada”. Homem de visão este Dr. Almir.

Trabalhou com ele por 09 anos, e depois em 1997 foi ser Diretora de uma área até então desconhecida por ela: ADA, uma área administrativa do DAEE que cuida de várias coisas, como contratos, reformas, manutenção, Xerox, entre outras coisas.

Foi também um período, mesmo que curto rico em aprendizado. Lá conheceu novas atividades, a gerenciar pessoas, desenvolveu novas habilidades, e conheceu muitas pessoas interessantes e super profissionais que atuam nesta área até hoje e que  a ajudaram a exercer sua função.  Diz que gosta muito das pessoas desta área e que sempre que precisa de algo da área é muito bem atendida.

Por questões políticas na época, saiu da ADA indo para o FEHIDRO. O FEHIDRO é um Fundo Estadual de Recursos Hídricos, que disponibiliza recursos para custeio de projetos encaminhados pelos Comitês de Bacia (área ambiental mata ciliar, combate a erosão, recursos hídricos em geral). Seu trabalho era o de analisar as prestações de contas encaminhadas, visando o uso correto do recurso disponibilizado aos comitês.  

Neste mesmo período, por uma questão de necessidade da entidade, começou a auxiliar à ADAEE, pois a entidade passava por dificuldades com a saída do ultimo presidente.   Já havia colaborado antes com a entidade, e a conhecia bem, tanto a área financeira, como no gerenciamento das colônias (1983-1993).

Após isto em 1998, aposentou-se continuando por um período de 01 ano como consultora do FEHIDRO.

Após aposentadoria pode ter mais tempo para ADAEE, e por solicitação do Dr. Arnaldo Pereira, Jose Eduardo Campos, e Dr. Salomão Szulman ficou unicamente na entidade auxiliando-a. Trabalhou como voluntaria por um período até ser recontratada em pelo DAEE em 1999.

Desta época lembra que passou pelas gestões do Sr. Silvio Campardo (com o qual já havia trabalhado na contabilidade), depois com Antonio Rodrigues de Camargo Neto – Panca, onde foi Diretora de Colônias, e em 2002 foi eleita numa disputa acirrada para Presidente da ADAEE. Desde então vem se reelegendo para o cargo que exerce com responsabilidade e preocupação, já que não percebe nos associados interesse pela renovação dos quadros da entidade.  

Mas falando de coisas sobre a vida de nossa entrevistada, ela reitera que sempre atuou em movimentos e entidades de classe. Foi Conselheira Efetiva e Suplente do Conselho dos Economistas, Diretora Administrativa e Diretora de Sede e Conselheira Fiscal  da Ordem dos Economistas de São Paulo. Sempre participou de Congressos, Seminários Cursos, movimentos ligados à profissão, além de ter orgulho de ter participado do movimento das Diretas, ao lado de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Luciano Coutinho e tantos outros que lutavam pelo mesmo ideal.   

Hoje está mais afastada destas atividades fora do DAEE, pois além da ADAEE lhe ocupar bastante, a parte idealista de mudar o mundo, pela qual lutava já não vale mais a pena. Diz que percebe das muitas pessoas que estava ao seu redor e que lutavam pelos mesmos ideais, muito mais preocupados consigo mesmo e com galgar posições profissionais (e salariais) e poder do que outra coisa, com raras exceções se desencantou.    

 Mas, como ela não muda o mundo neste sentido, continua atuando bastante em movimento e entidades sociais. Atuou por 15 anos numa ONG denominada Amigos do Barracão, que todos os finais de semana preparavam sopa aos moradores carentes do município de Ibiúna. Hoje continua auxiliando a entidade Mana Mãe. Este trabalho consiste na arrecadação de recursos entre um grupo de amigos para auxiliar na compra de gêneros alimentícios, especificamente carne e frango que serão utilizados mensalmente num asilo, um orfanato e uma casa de crianças com HIV.

Este mesmo grupo de amigos que é à base dos trabalhos sociais da qual participa foi formado na época da faculdade. É um grupo fiel, pois freqüentam a casa um do outro, viajam juntos, vão a teatro, festas, convivem com filhos, pais, familiares, organizam festas de confraternização entre eles, aniversários, etc. São, portanto uma segunda família.

Cândida afirma ser uma pessoa de sorte, pois na sua vida pessoal e profissional sempre apareceram pessoas boas que além de apoiá-la e orientá-la, abriram portas.

Seu primeiro chefe na empresa privada onde iniciou sua vida profissional, lhe orientou a freqüentar boas escolas  e querer crescer na vida. (diz que foi muito importante, pois sua família era muito simples e não tinha muito claro este conceito), as freiras no colégio sempre a orientaram muito bem, entre outras pessoas que foram boas na sua vida. No DAEE também sempre encontrou pessoas competentes, boas, que a ajudaram a crescer, entre as quais cita Dr. Almir, Neto, entre tantos outros.  

Cândida gosta muito da sua profissão, assim como de viajar, ir ao teatro, concertos, curtir boa música e espetáculos. Diz que na sua vida da faculdade iniciou este gosto cultural, pois viu nascer grandes nomes da musica popular brasileira como Chico Buarque, Caetano, Gal, Vandré. Participava de muitos show e apresentações teatrais, pois os preços eram acessíveis. Acha que como estudante e ganhando pouco podia participar mais destas atividades do que hoje.

Hoje seu trabalho está voltado a ADAEE, sua manutenção enquanto entidade de classe, mas atua também como Delegada na COOPERHIDRO. Na ADAEE é um trabalho difícil, devido à situação complexa que vive a entidade, mas há doze anos atuando mesmo com tudo isto, só podemos afirmar que ela é realmente persistente nas coisas que acredita.  

Parabéns pelo seu esforço continuo e ousamos arriscar dizer que,  a ADAEE continua viva, grande parte pelo seu trabalho e dedicação.

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