Uma Geógrafa especialista em erosão urbana: Maria Isabel Faria Gouveia.

17/03/2011 às 18:13 | Publicado em Sem categoria | 4 Comentários
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Isabel, atualmente na DRH – Diretoria de Recursos Hídricos, iniciou seus trabalhos no DAEE em 1983, vinda da Secretaria de Planejamento, onde atuou por 11 anos, o que lhe deu certa bagagem e experiência profissional.

Perguntada sobre o motivo da escolha pelo curso de Geografia, diz que como tinha feito  o curso Normal a principio iria cursar Pedagogia, mas por obra do acaso não passou no vestibular. Um ano depois mudou de idéia e fez o exame para Geografia: passou na USP e quando iniciou o curso diz que percebeu que tinha tudo a ver com ela.  

Segundo ela a geografia é uma profissão voltada para o planejamento.  Uma parte dos estudos abrange conceitos relacionados ao espaço físico: solo, água, vegetação e outra a área de humanas, estudando cultura dos povos, economia, sociologia, etc.

No DAEE a geografia é bastante utilizada na área de planejamento, pois a sua base de atuação são as bacias hidrográficas, onde a ocupação e o uso do solo, e outros aspectos que tem a ver com a quantidade de água são objeto de nosso trabalho.

Isabel lembra bem que em 1984,  com o inicio dos estudos para modernização do DAEE no governo Montoro e a necessidade de uma nova divisão administrativa do órgão, foi utilizado para isto o conceito de bacias hidrográficas. O DAEE optou por compatibilizar os limites físicos (rios) com as áreas administrativas (municípios), dando origem às atuais Diretorias Regionais.

Após isto ela, Nivaldo Fernandes e Cecília Aranha participaram ainda de uma comissão com várias secretarias de estado para que esta mesma lógica fosse utilizada por outros órgãos públicos na implantação da lei de Recursos Hídricos.

A experiência e o pioneirismo do DAEE com atuação administrativa por bacias hidrográficas culminaram com a criação da Lei Estadual de Recursos Hídricos, assinada em 1991, que também atua nos mesmos moldes, ou seja, no seu planejamento utiliza os limites da água (hoje um bem tão importante para o mundo).

Voltando à sua origem no DAEE, disse que vindo da Secretaria do Planejamento, começou aqui  trabalhando com Técnicos super competentes como Flávio Barth e Julio Cerqueira Cesar, na antiga Diretoria de Planejamento (mais uma, já que nossos últimos entrevistados coincidentemente vieram desta área).

Posteriormente, ficou ainda comissionada durante um ano junto a EMPLASA – Empresa Metropolitana que cuida do planejamento urbano e, depois, mais um ano na Secretaria da Saúde.

Na EMPLASA participou dos estudos sobre o “buraco de Cajamar”, onde um grande colapso subterrâneo fez surgir uma cratera  no meio da cidade, engolindo mais de dez casas. Foi feito um mapeamento completo do município, para determinar as áreas de risco de novos afundamentos e no local afetado foi construído um parque público.

Na Saúde também fez trabalhos interessantes, participando de uma equipe de estudos sobre saúde e meio ambiente. Um desses projetos era sobre contaminação por BHC, de uma área na Baixada Santista. Foi feito o levantamento da área contaminada por esse lixo tóxico e as suas consequências na saúde da população que morava nas proximidades; e também o destino final desse material, que teve que ser incinerado.

Mesmo estando  comissionada na Secretaria da Saúde, após cumprir o seu expediente retornava ao DAEE para trabalhar num projeto  que se iniciava , na área de controle de erosão. Como gerenciava os contratos desse projeto, retornava ao DAEE para executar as atividades que eram necessárias para o projeto prosseguir e deixá-los prontos para equipe.

Comenta que era época de eleições Presidênciais, na qual seria eleito o Presidente Collor de Mello, e o assunto funcionários públicos marajás era bem comentado pela mídia e pela população. Ela disse que pensou bem e percebeu que era uma “marajá-portuguesa” (desculpas aos nossos queridos portugueses),pois ganhava um salário só e trabalhava em dois lugares! Resolveu então retornar ao DAEE, onde gostava muito do trabalho que fazia, da equipe e do ambiente de trabalho,além de poder se dedicar integralmente aos desafios que se iniciavam na sua área de atuação.   

Começou então a atuar junto a um  grande projeto do DAEE, que demorou 10 anos para ficar pronto. O tema: “Diagnóstico e controle da erosão urbana no Estado de São Paulo”.

 Perguntada sobre o que vem a ser erosão, ela disse que a erosão urbana é um problema de perda de solo provocada pela ação das águas, que destrói  ruas, derruba casas e assoreia os rios e reservatórios, o que vem a provocar enchentes e falta de água para abastecimento público.

Este estudo teve por objetivo identificar as regiões que eram suscetíveis à erosão e teve a participação da equipe do IPT e de técnicos das prefeituras trabalhando junto com os nossos técnicos do interior, com intenso trabalho de campo. Além do conhecimento detalhado do problema no estado todo, foram feitas recomendações para a recuperação das áreas afetadas, tudo isso configurado no Mapa de Suscetibilidade à Erosão do Estado de São Paulo, até hoje o único feito no Brasil.

Comenta , ainda sobre um projeto muito interessante que o DAEE realizou no município de Franca, onde uma área  afetada por uma grande erosão foi objeto de um projeto de recuperação que, além de controlar a erosão, devolveu a área à população sob a forma de um grande parque público, com quadras esportivas, trilhas, brinquedos infantis, etc..

Também no município de Casa Branca, o DAEE executou um projeto de recuperação da área de uma erosão, transformando-a em parque público. Este projeto foi feito integralmente pela equipe técnica do DAEE, desde o levantamento topográfico, projeto de engenharia, projeto arquitetônico até a fiscalização da obra, feita pela prefeitura local. E com o cuidado de preservar as arvores que já haviam crescido na área. O local virou um parque com muitas trilhas, áreas para brincadeiras das crianças, quadras, etc..

Isabel atuou ainda organizando eventos corporativos, cujo objetivo era divulgar a atuação técnica do  DAEE e também possibilitar aos técnicos a participação em eventos científicos.  Era responsável pelo convênio DAEE – IPT, onde um programa de treinamento  possibilitava aos profissionais do DAEE a participação em cursos, congressos, seminários. Devido à falta de recursos financeiros e burocracia para capacitação dos profissionais do DAEE e com a agilidade obtida através deste convênio, foi possível divulgar a instituição, capacitar os técnicos, e levantar a auto-estima dos profissionais do DAEE que se sentiam valorizados ao participarem em eventos nacionais e internacionais. Esse programa atingiu todos os setores do DAEE, inclusive as áreas meio, que sempre se ressentiam da falta de oportunidade para treinamento e atualização de suas equipes.

Lembra com carinho de um dos motoristas que participou de um curso de direção defensiva , que até hoje carrega em sua carteira, com muito orgulho, o certificado de conclusão do curso! E de um funcionário da DOF que ao ser enviado a um congresso interestadual específico de sua área, disse que trabalhava no DAEE há mais de 25 anos e era a primeira vez que tinha a oportunidade participar de um evento desse tipo.

Disse que apesar do lado positivo deste trabalho e do orgulho de poder divulgar  a atuação do DAEE no meio técnico, com a montagem de estandes em eventos científicos, também  teve que driblar várias dificuldades para resolver problemas de última hora, carregar muita caixa pesada para economizar no despacho de bagagem . Mas no final dava tudo certo, pois o trabalho era feito com muita dedicação pela equipe do DAEE, onde todo mundo trabalhava unido pelo mesmo objetivo.

Diz que teve  momentos difíceis ao passar por uma doença grave, quando teve todo o apoio dos amigos do DAEE. Não esquece, e nem vai deixar de reconhecer isto nunca.

Atualmente exercendo a função de agente técnico do FEHIDRO, continua na DRH, hoje instalada na  Cidade Universitária, e diz ter orgulho de tudo que fez no DAEE e dos técnicos (feras) com os quais trabalhou.

Isabel tem 4 filhos: dois filhos casados (economista e administrador de empresas) e duas moças gêmeas, uma psicóloga e outra formada em moda. E lamenta muito o fato de ainda não ter netos…

Ficamos felizes em conhecer o papel de um profissional de geografia e o trabalho pioneiro do DAEE no controle a erosão no estado. Parabéns Isabel e técnicos do DAEE, por mais este trabalho.

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4 Comentários »

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  1. Sra Professora, gostaria de saber o porque que em um local de jardim, derrepente aparece algumas erosões com profundidade conseiderável?

    • Cara Sara, repassarei seu e-mail a nossa geografa Isabel, esperando que ela lhe responda em breve.

  2. Cara geógrafa Isabel. É com muita satisfação que lí e soube um pouco de seu trabalho profissional. Conhecí voce ainda criança junto com suas irmãs e passei algumas férias inesquecíveis em sua casa de Gopoúva. Um abraço a todos. Ademir, seu primo, neto da Dona Quiteria e filho da Candida.

    • Oi Ademir obrigado pela mensagem, é gratificante ver que nosso blog vai além das nossas expectativas e que consiga este objetivo, de fazer com os familiares se reencontrem. Vou passar sua mensagem pra Isabel, que é uma excelente pessoa e profissional. Muito querida alias.


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