Motorista (inclusive de ambulância)e o Diretor de RH: Eugênio Cezar Correa e João Roberto da Silva Costa. “Quando duas trajetórias profissionais se cruzam”.

04/01/2011 às 17:31 | Publicado em Motoristas DAEE | 1 Comentário
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Passado o natal de 2010, tivemos a oportunidade de conversar com um de nossos servidores: Eugênio Cezar Correa: Motorista, 62 anos, atuando no “pool” que atende as Diretorias e servidores lotados nos edifícios Cidade I e II da Rua Boa Vista, 170 e 175 – Centro.

Admitido como mecânico em 06/4/1981 tem 29 anos de serviços prestados ao DAEE. Começou na antiga TMO, hoje BAOS – antiga sede da Bacia do Alto Tietê situada em Osasco.  O objetivo desta unidade era prestar serviços às prefeituras locais, realizar obras nos rios e córregos pertencentes ao municipio, obras no Tietê, etc.

Sua admissão se deu por conta da amizade com outro servidor Luiz Vicente Alves de Barros, motorista, também nascido na cidade de Tietê como ele. Quando surgiu a oportunidade de contratação de um mecânico para a frota da unidade de Osasco, foi chamado e logo admitido. O Diretor administrativo da época Roquejane foi quem o contratou.  Desta mesma época, lembra-se de outros servidores: Marcelo Sellingardi, Juscelino (vulgo Jacaré), Jorge Arruda, Eng. Nicola Pascoal Vulcano (falecido em 2008).

Trabalhou dois anos em Osasco como mecânico, depois foi transferido para Divisão de Transportes (ADT) na Vila dos Remédios na gestão do Sr. Clarindo Mendes, ficando sob orientação e comando do Sr. Reis – coordenador da área de transportes. Uma figura este Sr. Reis, muito comentado e lembrado por todos que trabalharam com ele. Boa gente.

Na ADT juntamente com outros passou a cuidar da mecânica de todos os veículos do DAEE, uma demanda alta e com grande número de veículos: carros, caminhões, máquinas, dragas.

No final de década de 80, apesar de gostar do que fazia, devido a falta de motoristas foi transferido para São Paulo, para atuar como motorista do Sr. João Roberto da Silva Costa. Este vindo da CETESB a convite do Superintendente da época: Doutor Paulo Bezerril iria começar trabalho como Diretor de Recursos Humanos do DAEE. 

Depois de um longo periodo com diretores de RH pertencentes a casa, ter um diretor “forasteiro” exigia muita experiência e jogo de cintura. Porém para Eugênio foi um período muito bom, pois o João Roberto era uma pessoa muito correta para trabalhar: disciplinado, dedicado, objetivo, e excelente profissional. Conhecedor da área, trouxe para o DAEE vários programas, entre os quais:  compra de material escolar em parceria com a ADAEE, informatização de quase todas as atividades do RH, além da implantação do Serviço de Medicina e Engenharia de Segurança do Trabalho – SESMT, no qual no DAEE se chamava RHEM. A equipe do RHEM era formada por servidores administrativos: Neusa Pires, Tania, Waltinho, Isabel, e também os da equipe médica: Dr. João, e Fred, Cristina Collonese  – enfermeira.

Deste período junto ao Diretor de RH, Eugênio se lembra de dois fatos marcante quanto ao João Roberto.

Um quando João Roberto  teve que participar o final do dia de uma solenidade externa e demorou para retornar, voltando quase à noitinha. Quando Eugênio foi comentar sobre a demora, ele alertou que estava a serviço e que sabia das suas responsabilidades, que este não se preocupasse com isto. Uma lição dada com muita educação. Eugênio ficou meio chateado. Passado alguns dias deste fato,  lembra que o trouxe na parte da manhã corriqueiramente, que a tarde resolveu sair para lavar o carro. Retornou ao final do dia na Rua Riachuelo no local onde ficavam estacionados os carros oficiais (debaixo da creche) e lá ficou aguardando. As horas passando: 17h00min, 18h00min, 19h00min horas e nada. Resolveu não falar nada, pois se lembrou da lição recente. Acabou dormindo no carro, acordando aproximadamente as 23h00min horas e nada. Não sabia se subia ao andar onde ficava o RH para ver o que acontecia ou esperava. A meia noite resolveu subir, encontrando todas as salas às escuras obviamente. Com muito sacrifício, acendeu as luzes e achou uma agenda na mesa da secretaria e ligou para a residencia dela, que o atendeu assustada. O que ele ouviu o deixou estarrecido, pois João Roberto havia saído de férias e avisado a Secretária para dispensar o motorista logo após o almoço, pois não iria usar mais o veiculo, porém ela se esqueceu de avisá-lo. (em tempo: que falta fazia o celular na época…..).

Eugênio guardou isto até o retorno de férias do seu Diretor, e quando teve oportunidade “tascou-lhe” umas verdades: porque não o avisou que sairia de férias, evitando-se assim este tipo de situação, porque não o dispensou logo cedo, que falta de respeito., etc., etc., etc. Disse que neste dia se exaltou, saindo até fumaça pelos olhos de tanta cólera. João Roberto o ouviu, pediu mil desculpas, não se eximindo de responsabilidades, apesar da “culpa” pelo lapso (se se pode dizer assim) ser da secretária.

Lembra ainda que depois deste episódio, que uma vez por mês pedia autorização para as assistentes sociais para utilizar o veículo oficial ir até o posto de saúde retirar remédios caros e necessários para o tratamento de saúde de sua mãe (diabética e hipertensa) e depois leva-los a Tietê cidade onde morava a mãe, pois nos postos do interior não havia a medicação necessária ao seu caso.

Numa destas vezes João Roberto,  quando este foi buscá-lo cedo,  o avisou: “Olha Eugênio, tivemos recentemente uma denuncia envolvendo carro oficial e eu fui obrigado a tomar uma atitude severa com o motorista. Época de período eleitoral sempre dá problemas e as denuncias aparecem, as vezes até injustas, mas temos que evitá-las ao máximo.  Apesar do seu caso ser justificável para uso do veículo e com autorização das assistentes sociais, nesta época, prefiro que você me leve ao DAEE com meu carro particular. Depois disto você pode utilizá-lo para ir até a cidade de Tietê levar os remédios para sua mãe, retornando ao final do dia e me pegar novamente. Meu carro está com o tanque cheio e você pode utiliza-lo sem problemas.”

Eugênio diz lembrar-se disto até hoje, foi o gesto foi espontâneo demonstrando um lado pouco conhecido do seu diretor: solidariedade, pois era uma pessoa discreta e que apesar de aparentar seriedade e pouco adepto a grandes demonstrações de afetividade, sempre que podia ajudava dentro de suas limitações.  Se existiam cobranças e normas a serem cumpridas ele era o primeiro a ser o exemplo. Alias uma qualidade dos lideres.    

Enfim, trabalhou com João Roberto – Diretor de RH, enquanto este atuou no DAEE. Porém com a troca de Governo este retornou a CETESB e Eugênio passou a trabalhar no ambulatório médico atendendo com a ambulância os pacientes que necessitavam de transporte a hospitais da região.

Depois disto ficou ainda a disposição das assistentes sociais atendendo na ambulância o DAEE todo: Capital e Interior. Nesta época a demanda era alta, muitos doentes do interior que tinham que ser transportados a São Paulo para tratamento. Lembra que não tinha horário, acordava muito cedo, voltava muito tarde, sendo que muitas vezes teve que ir ao interior no domingo à noite para trazer pacientes na segunda de madrugada. Mesmo assim valeu a pena, pois foi muito útil neste período, ajudando muitas pessoas.  Lembra que atendiam muitos casos de alcoolismo, sendo que em algumas ocasiões tinham quase que “ir às vias de fato”, pois chegando aos hospitais já contatados previamente pelas assistentes sociais, os pacientes queriam fugir, e ele (e os demais motoristas), tinham que fazer de tudo para convencê-los a ficar para internação.  Mesmo assim lembra com orgulho desta fase, e de todos os motoristas que trabalharam com a ambulância do DAEE, pois atenderam e ajudaram muitas pessoas, isto no tempo que no DAEE tinha uns 5.000 servidores.

Eugênio é do tempo, que em São Paulo, com 18 anos, o patrão mandava se esconder dos fiscais do trabalho, pois trabalhava como aprendiz em uma oficina mecânica, e este obedecia rapidamente. O patrão dizia que os fiscais o obrigariam a contratá-lo de acordo com as leis e isto acabaria por ter que demiti-lo. Como a situação era difícil, pois vindo do interior dependia muito deste salário, aceitava. Hoje inda trabalha devido a isto, pois não conseguiu o tempo necessário de contribuiçao para poder se aposentar, mas não reclama.

Enquanto isto vai trabalhando, cuidando da família numerosa: 04 filhas adolescentes do segundo casamento e 04 do primeiro (é viúvo), estes casados e que já lhe deram netos e, ainda exercendo no tempo livre seu papel de pastor evangélico, além das suas aulas particulares que ministra como  professor de inglês e,  dos bons.

Fica portanto nossa homenagem ao João Roberto da Silva Costa, (já falecido) Diretor do RH do DAEE, que teve uma atuação importante para área, ao Eugênio e a todos os nossos motoristas que prestam serviços relevantes às equipes do DAEE e ainda a todos os nossos motoristas de ambulância que dedicados prestaram inúmeros serviços aos nossos servidores que necessitavam destes serviços, em horas tão difíceis na vida de qualquer pessoa.  

Hoje não dispomos mais deste serviço (ambulância) , mas estes profissionais/motoristas foram super importantes,  pois os servidores/familiares doentes  não contavam só com o transporte na ambulância, contavam com os serviços de pessoas que exerciam e iam além da função de motoristas, demonstrando zêlo, dedicação e humanismo aos seus pacientes.  

 

 

 

 

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1 Comentário »

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  1. Achei emocionante esta matéria… mesmo porque conheci Dr. João Roberto e, realmente, foi uma Grande Figura na SRH: soube cumprir o seu papel com dedicação, exigente e, ao mesmo tempo, tão próximo dos funcionários.Deixou sua marca na SRH, tanto que Eugênio soube retratar isto provocando risos com uma mistura de orgulho pelos serviços que prestou naquela época.Parabéns ao Eugênio e aos Motoristas que também atuaram naquela gestão, cumprindo sua tarefa, e auxiliando os funcionários/familiares.


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