A Irrigação e o uso racional da água, a trajetória de um profissional, por Dirceu D´Alkmin Telles.

15/12/2009 às 17:25 | Publicado em Sem categoria | 2 Comentários
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O professor Dirceu D´Alkmin Telles é um dos grandes especialistas do DAEE na área de irrigação. Admitido no DAEE em 1961, portanto dez anos após a fundação da Autarquia, foi contratado para atuar na Diretoria de Planejamento, antiga DP, no setor de hidrologia especificamente.
Esse setor foi o responsável pela instalação dos postos para medição de níveis de água e de vazão nos rios e também dos aparelhos de pluviometria (dados da chuva). A hidrologia e seus técnicos foram pioneiros para instalação dos primeiros postos fluviométricos e pluviométricos no Estado, dando origem ao que é hoje a rede hidrométrica.
Dirceu tem uma boa lembrança da década de 70, quando o Superintendente Dr. Renato Della Togna, profissional e líder com uma visão estratégica e de longo alcance, preocupado com o futuro da Autarquia, deu início ao que seria a nova atribuição do DAEE: a preocupação com a gestão dos recursos hídricos. Dois aspectos foram salientados inicialmente: a irrigação e as águas subterrâneas e, para tanto deu inicio a contratação de duas empresas de consultoria internacional, uma Israelense e outra Inglesa às quais, naquela época caberia realizar estudos sobre os temas Irrigação e Águas Subterrâneas.
A ele, Dirceu coube a responsabilidade pelo acompanhamento dos trabalhos e técnicos ingleses que atuaram na área de irrigação e, ao Dr. Salomão Szulman, a responsabilidade pelos técnicos israelenses que atuaram na área de águas subterrâneas.
Fruto dessas consultorias e estudos originou-se o “Diagnostico Básico para o Plano de Irrigação do Estado de São Paulo”, no qual foram levantados e apresentados dados e informações a respeito do potencial das regiões do estado de São Paulo no uso da água na agricultura, ou seja, as regiões que teriam disponibilidade de água para irrigação, terras boas, topografia, infra-estrutura, etc.
Na seqüência Dirceu coordenou o “Plano Diretor de Irrigação do Estado de São Paulo”, cujo objetivo consistiu em levantar e determinar quais as regiões com maior potencial para irrigação no estado, e caracterizar ações necessárias.
Foi assim que surgiu o “Projeto de Irrigação de Guaíra. Segundo Google:
“Guaíra localiza-se na região norte do Estado de São Paulo, distante 130 km da cidade de Ribeirão Preto. O estabelecimento de culturas como a soja, milho, feijão e tomate, o plantio e beneficiamento da cana-de-açúcar, além de atividades pastoris, são as principais fontes de renda do município, tornando-o um dos principais produtores de grãos do Estado de São Paulo. Por aliar uma topografia suave, de colinas amplas, a boas condições de fertilidade do solo, proveniente da alteração de derrames basálticos juro cretáceos da Formação Serra Geral, Guairá tem se destacado como importante pólo de irrigação.”
Reforçando o texto acima, Dirceu diz que o papel do DAEE na época, foi também o de implantar e divulgar o “Programa de Campos de Irrigação do Estado de São Paulo”. Este Programa foi desenvolvido contando com parceria com a Secretaria da Agricultura, da Companhia Paulista de Força e Luz CPFL e as Prefeituras locais, cabendo ao DAEE levar as informações sobre o uso racional da água na irrigação, à Secretaria da Agricultura e seus técnicos orientarem a parte de agronomia, à CPFL estimular o uso racional da energia elétrica no campo e às prefeituras cederem os espaços físicos.
Foi um projeto pioneiro por parte do DAEE, uma vez que tanto auxiliava no desenvolvimento da agricultura, bem como orientava a comunidade (agricultores, pequenos lavradores, fazendeiros, etc.) sobre o uso racional da água.
Se hoje Guaíra e outros municípios são desenvolvidos em sua agricultura e utilizaram a irrigação para o seu desenvolvimento, parte deste crédito se deve ao trabalho realizado pelo DAEE e a seus técnicos que se esforçaram em viabilizar este tipo de projeto.
Do Programa de Campos de Irrigação, surgiram quinze a dezessete campos de demonstração – locais onde se apresentavam os vários tipos de irrigação possíveis. Isto na época foi um sucesso e, aproveitado inclusive pela iniciativa privada que em alguns casos, pagaram pelos estudos detalhados realizados pelos técnicos do DAEE, especialistas em irrigação, cuja proposta era analisar e estudar os melhores métodos para determinadas vegetações: girassol, tomate, uva etc. Os resultados destes estudos foram compartilhados e repassados a toda comunidade, não se restringindo à iniciativa privada.
Ainda falando do Projeto Guaíra, Dirceu lembra que, quando da sua inauguração, o projeto foi visitado pelo ministro da Agricultura, Dr. Antônio Delfim Netto, que elogiou a idéia e seus resultados junto à comunidade. Na época, o Presidente do Brasil era o General João Batista Figueiredo
Sua trajetória também o colocou diante de vários ministros, senadores e até governadores, pois quando Presidente da ABID – Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem organizou em 1981 o: 4º. Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, coordenado pela ABID e DAEE.
Neste evento Dirceu destaca que o evento contou com a presença do Ministro dos Transportes, Mário Andreazza, do Ministro do Interior, do Senador pelo Ceará José Lins, que atuava junto à antiga SUDENE (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste) e também com a presença do então Governador de São Paulo, Dr. Paulo Maluf.
Dirceu não aprova nem desaprova a atitude do ex-governador naquela ocasião, mas se recorda de ter ficado surpreso com o interesse do governador em participar do Congresso, mas que sabia que, por trás disto, estava o interesse em obter uma projeção nacional, pois este tinha pretensões de ser presidente da república e, além disto, queria se aproximar dos participantes e políticos do nordeste que por lá estariam. Demonstrou ainda ser muito perspicaz, conclui Dirceu, pois apesar de conhecer pouco do tema, com uma conversa informal com ele e com alguns folhetos que leu no começo do evento, fez uma excelente abertura do evento, demonstrando sagacidade, pois para quem o via e ouvia pela primeira vez, demonstrava que atuava e conhecia profundamente este setor há anos.
Dirceu considera que o DAEE foi importantíssimo para o desenvolvimento racional do uso da água na irrigação no estado de S.Paulo e, mesmo no Brasil e que, o “Projeto de irrigação” só não foi mais adiante porque o Estado teria que desapropriar áreas para poder desenvolvê-lo, o que seria difícil de se viabilizar em termos práticos e mesmo políticos.
Coube ao DAEE na época, fomentar e estimular a irrigação e principalmente, orientar e começar a trabalhar a necessidade do uso racional da água no estado.
Argumenta como professor, que hoje no Estado de São Paulo o consumo da água é assim distribuído: 65% agricultura irrigada, 20% do consumo urbano e 15% industrial; portanto trabalhos e ações no sentido da conscientização do uso racional da água pela agricultura, e os demais setores, são importantíssimos e contemporâneos, já que ainda hoje são desafios. O DAEE percebia a situação tempos atrás e já se preocupava em atuar neste sentido.
Profissionalmente Dirceu sempre atuou nas áreas de planejamento, recursos hídricos, ajudando inclusive a montar a política estadual de recursos hídricos, os comitês de bacias, as agências de bacias. Sua última lotação antes da aposentadoria foi na Diretoria de Recursos Hídricos – DRH.
Um dos traços de sua personalidade e perfil, é que sempre foi movido a desafios, entre inúmeras participações em congressos e eventos, destacou suas viagens a serviço ao México, Holanda, Israel, para conhecer os mais avançados sistemas de irrigação, e por isto agradece ao DAEE.
Teve oportunidade ainda de coordenar, junto ao consulado do Japão na seleção de profissionais e envio de técnicos àquele país para se aprimorarem em áreas vinculadas ao desenvolvimento sustentável do uso da água. Diz que muito colaborou na seleção para o envio de cerca de vinte técnicos ao Japão, preferencialmente profissionais e técnicos do DAEE. Ele mesmo iniciou a fila. O Governo Japonês, por intermédio de bolsas da JICA arcava com todas as despesas seria uma espécie de exposição ou marketing da sua metodologia e tecnologia de ponta, no caso no aproveitamento dos recursos hídricos.
Dirceu organizou diversos seminários, eventos, congressos nas áreas de irrigação, hidrologia e de recursos hídricos, foi professor de Hidrologia na FATEC-SP, sendo eleito por dois mandatos Diretor da Instituição. Publicou inúmeras obras, participou de congressos e eventos técnicos, prestou consultoria. Tanto que seu Mestrado (1981) e o Doutorado (1996) na Escola Politécnica da USP contemplaram a área de irrigação na qual se iniciou no DAEE. Portanto construiu sua carreira numa área nova, logo quando esta começou o que lhe deu muito prazer e conhecimento ao longo de sua vida, e abraçou as oportunidades e desafios que o DAEE e sua carreira lhe proporcionaram.
Lembra com carinho das várias pessoas com quem atuou enquanto estava no DAEE, dentre os quais: Renato Della Togna, Osvaldo Yasbek, Arnaldo P. da Silva, Salomão Szulman, Arnaldo de Chiara, Victor Mendes, Jorge Grappeggia, Rubem La Laila Porto, Flavio Barth, Garcezinho e, tantos outros que como ele, técnicos ou não, deram sua contribuição aos trabalhos do DAEE.
Atualmente aposentado pelo DAEE e pela FATEC, presta consultoria e coordena cursos de Pós-Graduação na Fundação de Apoio à Tecnologia – FAT e está com um novo desafio: escrever um capítulo para uma publicação internacional. O texto será em inglês e a publicação será lançada na Alemanha em fevereiro de 2010. O capítulo sob sua responsabilidade: “O Uso da irrigação no Brasil”.
Com toda esta capacitação e experiência na área, não era pra menos que nada melhor do que ele, nosso representante do DAEE (se é que podemos chamá-lo assim) para falar do assunto com tanta propriedade e competência.
Com certeza, mais este capítulo de sucesso na sua vida profissional e pessoal. Parabéns Engenheiro e Professor Dirceu D´Alkmin Telles!
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2 Comentários »

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  1. Fui aluno do Dirceu na Fatec em 2011!!!

    • Sorte sua o Prof. Dirceu é um excelente profissional e professor.


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