As assistentes (e insistentes) sociais e os atendimentos junto aos servidores do DAEE – Parte 1: O Velório e o Porco

08/12/2009 às 18:36 | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
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Como se sabe este blog tem por objetivo resgatar as histórias de vida das pessoas nos seus ambientes de trabalho e suas lembranças: a memória coletiva. Isto reforça o sentido de pertencimento a um determinado grupo, além de fortalecer os laços afetivos de seus membros. Afinal é no trabalho que passamos o maior número de horas das nossas vidas e construímos relacionamentos, amizades, laços, formamos grupos, etc. O dia a dia, o cotidiano, o corriqueiro, isto também é lembrança/memória, mesmo que nem todos estejam atentos a isto. A memória técnica também faz parte de nossas lembranças e será alvo de outras matérias neste blog.
Por isto vou recordar algumas histórias da área de serviço social do DAEE, pois sou originária desta área, como estagiária a partir de 1984, permanecendo até os dias atuais.  
A implantação do Serviço Social no DAEE ocorreu em 1973. Desta área e do seu trabalho originaram-se várias histórias para se contar a respeito dos atendimentos efetuados junto aos servidores, umas engraçados, outras interessantes, outras tristes, enfim muitos “causos”.
No Brasil, assim como na Europa, a trajetória desta área é a mesma da profissão, ou seja, criada no seio da igreja católica para dar assistência aos mais pobres/excluídos. Aqui também o papel das assistentes sociais sempre foi ligada a prestar assistência, acompanhar, orientar, desenvolver projetos (e políticas) voltados ao atendimentos individual, familiar ou em grupo: serviço social de grupo ou comunidade.
Em empresas como é o caso do DAEE, o objetivo é:  prestar atendimento bio- psico- social aos servidores e dependentes.  Neste caso o cliente  é o trabalhador, o que dá outra conotação a atuação, mas não deixa de ser uma área eminentemente ligada na sua origem, a “corrigir” ou “minimizar” “conflitos ou desajustes”.  Palavras fortes e ações inviáveis de serem executadas isoladamente, sem o apoio e respaldo de outras políticas da empresa e do poder público em geral.
Hoje felizmente o papel do Serviço Social nas empresas tem avançado no sentido de atuar junto em parceria com outras áreas do RH da empresa, no sentido de atendimento aos direitos e benefícios dos trabalhadores e a um trabalho conjunto de ações para prevenção e criação de projetos voltados a educação e melhoria da qualidade de vida, saúde, motivação, responsabilidade social, entre outros.  
Mas independente desta faceta, a história desta área no DAEE, apesar dos percalços, sempre foi muito interessante e até mesmo divertida, pois o convívio com estes tipos de assuntos só fortalece e inspira aqueles que nesta área atuam e gostam de lidar com o ser humano.com a atuação das primeiras assistentes sociais: Joana Neide (Responsável e a primeira assistente social), Regina, Elisabete, Iliani as pioneiras, depois seguida pelas aspirantes a assistentes sociais (naquela época estagiárias), Idália, Nadir, Vera, Rosangela, Meire, Fátim
O Serviço Social do DAEE, quando começou a atuar contou a e mais tarde se juntaram ao grupo: Ivone e Silvia – esta última que escreve a matéria. Corriqueiramente naquela época, as assistentes sociais eram chamadas de meninas do Serviço Social. Muito bom aquele tempo.  
Como existem várias histórias interessantes pra contar, resolvi começar por duas. 
A primeira ligada à atuação da Iliani, (já falecida) uma de nossas pioneiras na área, uma loira bonita, vaidosa, perfumadíssima, sempre alegre e divertida, e que merece ser recordada.
Nos idos anos 70/80, o Diretor da SRH, Dr. Sidney Camargo, costumava ao chegar ao trabalho e como primeira ação,  ler o jornal, principalmente o setor de obituário e marcar quem havia falecido e se tinha alguma relação com o DAEE: servidores, ex servidor, familiares.  Neste caso a seqüência era ligar pro Serviço Social pedindo que alguém fosse ao local do velório prestar as condolências à família. A queixa das assistentes sociais era que se pudéssemos ao menos oferecer algo mais que condolências seria importante, pois nestas horas, as famílias precisavam mesmo era de recursos para pagar as despesas, etc. Isto estava fora de cogitação, não havia meios legais para isto na época.
Num destes dias comuns, pra todos, exceto pra Iliani ela veio toda bonita pra comemorar o aniversário ao final do expediente com o marido e amigos a um restaurante. A caráter para sua festa com vestido  branco de pique justo e com abertura lateral, bolerinho vermelho, sapatos altos e bolsa vermelha de verniz, muitos colares, perfume, muita maquiagem e cabelos loiríssimos super bem arrumado, numa escova que mais parecia à atriz Farrah Fawcett – pantera da época. Ela se considerava, sem dor de consciência, uma perua assumida, chíquerrima por sinal.
Para o azar dela na escala de atendimento aos pedidos com saída externa ela era a próxima e não foi pra menos que o Diretor Doutor, Sidney, ligou pedindo que alguém fosse até a periferia da grande São Paulo, num velório de um ex-servidor. E assim foi lá nossa amiga profissional, se sentindo meio fora de padrão para aquele tipo de atendimento, mas não tinha jeito, ela teve que ir mesmo.
Lá chegando, diz que chegou à sala onde o corpo estava sendo velado, vendo uma senhora próxima ao caixão chorando muito. Meio sem graça entrou na sala, lotada de pessoas, sentindo imediatamente um calafrio quando todos os olhares se voltarem para ela, e um em especial, o da viúva, que a encarou feio e pelo olhar Iliani deduziu: “está pensando que sou amante do falecido ou algo parecido” e não só ela, mas todos ali. Disse na época, que se abrisse um buraco no chão teria entrado dentro, de tanta vergonha e constrangimento, mas seguiu passos firmes até a viúva, apresentou o crachá e disse o que estava fazendo ali. O olhar da viúva melhorou muito, porém os demais ficaram aguardando a reação da viúva primeiro, antes de se manifestarem sobre a sua presença ali. Diz que mesmo o clima melhorando, ficou pouco tempo no local, mas que deste dia em diante, apesar de todos conhecerem os ossos do ofício, neste tipo de atendimento iria, não o profissional da escala, mas sim aquela com vestimentas mais apropriada a este tipo de  atendimento.
Desta história ficou o aprendizado e muitas risadas, depois do acontecido. Ainda bem que Iliani sempre foi bem humorada e cheia de tiradas para este tipo de situação. Ela foi uma daquelas pessoas que só deixam recordações boas e, além de tudo muito engraçadas.   
 Outra história que merece ser recordada entre várias da área, é uma envolvendo um servidor com problemas psiquiátricos e que deveria passar por perícia no Departamento de Pericias Médicas, conhecido como DMSCE. Isto ocorreu em meados dos anos 80. Não me recordo se foi a Elisabete ou Nadir a assistente social que o acompanhou a perícia, mas o fato foi que neste dia, o médico de plantão era um muito rígido sempre contrário a aposentadoria de servidores com problemas psiquiátricos, pois ele sempre achava que as pessoas exageravam para conseguir a aposentaria. Isto infelizmente continua até hoje.
A assistente social informou ao médico dos surtos e crises graves que ocorria eventualmente com este servidor em horários de expediente e que os demais servidores que trabalhavam com ele, ficavam em pânico, com medo de possíveis atos agressivos. O médico ouvia tudo sem levantar a cabeça, e o servidor idem, só que olhando fixamente pro médico atrás da mesa.
Ao fim do relato da assistente social, o médico se dirigiu ao paciente e perguntou como ele estava; afinal a assistente social não era nada ali, valia o relato do paciente. Este com o olhar fixo no médico, pupilas dilatadas e começando a ficar agitado, apontou ao médico e disse: porco. O médico sem entender pediu que repetisse e este falou agora mais alto: porco, castrar, porco, castrar……  e  gritando já pulou pra cima da mesa para pegar o tal porco, que no caso era o médico perito. Este se desvencilhou rápido e rasteiro, super veloz saiu da sala correndo e chamou os seguranças e pediu para levar o paciente para internação no Hospital do Servidor.  Sumiu depois disto. A assistente social, que assistia a tudo, nem teve tempo de reagir, só restando acompanhar o servidor na ambulância para internação.
No dia posterior, acompanhando no Diário Oficial os resultados das pericias médicas, leu o parecer do médico diante deste atendimento: “servidor aposentado por invalidez”. Portanto, demorou, mas saiu o parecer favorável a aposentadoria. Pena que o médico não ouviu (nem acreditou) no que foi dito pela profissional e teve que passar por tudo isto, ser confundido com um porco e quase ser “castrado” pelo paciente.  Sorte que ele era veloz.    
 
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