O Centro de Recuperação de Animais Silvestres-CRAS, pela veterinária Liliane Milanelo – uma gigante na causa pela recuperação e tratamento de animais silvestres.

21/03/2011 às 16:06 | Publicado em Sem categoria | 29 Comentários
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Como infelizmente até por conta dos inúmeros compromissos da nossa entrevistada, que é super requisitada no seu trabalho, não conseguimos falar com ela pessoalmente, optamos por enviar algumas perguntas para que púdessemos falar deste trabalho realizado no Parque Ecológico do Tietê, especificamente pelo Centro de Recuperação de Animais Silvestres, da qual nossa veterinária Liliane coordena um trabalho excelente, com profissionalismo, paixão e amor pelos animais.

Segue relato da nossa Liliane – pequena na estatura, mas gigante no seu trabalho e vocação/causa.   

“Iniciei minha trajetória no DAEE em novembro de 1995 já no CRAS-Centro de Recuperação de Animais Silvestres do Parque Ecológico do Tietê(PET), quando fiz estágio curricular obrigatório de conclusão do curso de medicina veterinária na UNESP DE BOTUCATU.

Lá me deparei com a minha real intenção profissional – atuar na área da medicina veterinária de animais silvestres. Tive a grande oportunidade de trabalhar e aprender muito com Edson Sena, um exímio tratador de animais, funcionário do DAEE que aderiu ao plano de demissão voluntário.

Formei-me após a conclusão dos 2 meses de estágio no CRAS, mas não consegui ir embora…a veterinária contratada havia pedido demissão e fiquei penalizada com uma porção de animais precisando de cuidados, então fiquei até 14 de maio de 1996, ou seja, 5 meses fazendo trabalho voluntário no Parque até ser contratada pelo Departamento.

A partir daí me dediquei quase que exclusivamente a transformar o CRAS no maior Centro de Triagem de Animais Silvestres do Brasil, recebendo, tratando e reabilitando animais silvestres retirados do sue ambiente natural pelo tráfico ou pelo impacto humano gerado por destruição de habitats. Nesses 15 anos de trabalho mais de 70.000 animais puderam ser atendidos e aproximadamente metade por ser devolvida a natureza, dando continuidade a sua função biológica no ambiente.

Ainda na década de 90, o então responsável pela área de Recursos Humanos do PET, Milton Martins (Miltinho como é mais conhecido), grande amigo e companheiro, me ensinou tanto sobre a história do DAEE, da criação do Parque, e como caçador totalmente redimido, contava peculiaridades sobres as diversas espécies que atendia no CRAS -meu muito obrigada.

Como não podia deixar de ser, meu primeiro chefe foi Luis Antonio Labruna, engenheiro, mas veterinário autodidata por paixão construiu e contribui até hoje na minha formação profissional e amadurecimento como pessoa.

Muitas situações engraçadas e outras nem tanto marcaram minha carreira, certa vez uma de nossas 3 antas (animal) conseguiu escapar da área de confinamento e foi parar na piscina do Parque! Após muitos malabarismos conseguimos retirá-la com segurança. Ainda hoje, após tantos anos, ainda me entristeço e me revolto com animais que chegam ao Centro vítimas do tráfico ilegal de animais silvestres, todos em péssimas condições, retirados forçadamente de seus ambientes, amontoados, com lesões graves apenas para servirem ao prazer aqueles que os querem aprisionados numa gaiola.

Gostaria de agradecer as pessoas que dirigiram o Parque Ecológico do Tietê, e que permanecem no meu coração,  pelo carinho com que me ajudaram na jornada de coordenar o Centro, são Priscilla Ballotta e Wagner Bernardo. 

Tanto tempo dedicado ao trabalho, acabou resultando no encontro do meu marido dentro do Parque, o arquiteto também do DAEE, João Destro Júnior, que me deu o “bichinho” mais precioso, a nossa filha de 8 anos Nuria.

Hoje o CRAS PET DAEE é o único centro de triagem de animais silvestres do Governo do Estado de SP e um dos maiores do Brasil, colaborando grandemente com a conservação das espécies de fauna, e em 2009 aconteceu o reconhecimento máximo pela dedicação dispensada, minha e de minha equipe de profissionais terceirizados: O DAEE recebeu o prêmio Benchmarking Ambiental de boas práticas ambientais, quando concorremos com as atividades do CRAS.

Com imenso prazer e orgulho faço parte dessa família, o “DAEE”.

 Agradecemos a Liliane por dispor do seu tempo, nos cedendo estas informações para dar maior veracidade, reforçar  a importância deste trabalho e ainda prestar  orientação aqueles que queiram conhecer o trabalho do nosso Centro de Recuperação de Animais Silvestres – veja material de apoio abaixo:

 O Centro de Recepção de Animais Silvestres “Orlando Vilas Boas”

O C.R.A.S. do Parque Ecológico do Tietê recebe animais silvestres oriundos de apreensões do tráfico ilegal de animais silvestres realizados pela Polícia Florestal, IBAMA e também pela doação de particulares.

 A unidade Engenheiro Goulart abriga também o primeiro centro de recuperação de animais silvestres instalado no país, que recebe animais doados ou apreendidos pela Polícia Florestal e pelo Ibama. Muitos desses animais apresentam ferimentos, às vezes irreversíveis, por agressões sofridas no convívio com o ser humano ou por maltratos nas mãos de traficantes de animais. Alguns macacos, por exemplo, apresentam os dentes serrados para impedir mordidas; pássaros têm olhos perfurados ou queimados por bitucas de cigarro com o objetivo de ficarem mais dóceis e cantarem; e aves de rapina têm suas garras arrancadas para não agredirem fisicamente o homem.

Em média 250 animais chegam ao parque mensalmente. São aves como araras, tucanos, papagaios, periquitos, pássaros pretos, coleirinhas e canários da terra. O répteis mais comuns são lagartos e jabutis e mamíferos: saguis, macacos-prego, quatis, gambás, antas e catetos. Ao chegarem ao Parque, os animais passam por uma avaliação realizada pela equipe técnica, composta por biólogos e veterinários, realizam exames clínicos e parasitológicos, recebem o tratamento necessário e alimentação adequada, e após um período de recuperação, realizado em viveiros e áreas de procriação são destinados a programas de soltura e repovoamento. Muitos animais, no entanto, não se adaptam mais à vida em liberdade e estão condenados a viverem isolados pelo resto da vida.

Os animais recebidos recebem tratamento veterinário e adequação biológica para posteriormente serem devolvidos a natureza ou encaminhados para centros de conservação (criadores conservacionistas e zoológicos), conforme autorização do IBAMA.

O C.R.A.S. não recebe visitação, pois trata-se de um local para recuperação desses animais.

Em março de 2004 passou a ter uma nova denominação: Centro de Recepção de Animais Silvestre “Orlando Villas Boas”, uma homenagem ao sertanista, natural de Santa Cruz do Rio Pardo.

Parque Ecológico do Tietê – Núcleo Engenheiro Goulart Rua Guira Acangatara, 70 – Eng. Goulart São Paulo – SP

Telefone: 2958-1477

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  1. Ola sou Leandro de Barretos SP,gosto muito desse tipo de trabalho, e tenho vontade de trabalhar com vcs, eu nao tenho esperiencia nessa area, mas quero trabalhar com vcs e gostaria de saber se teria uma oportunidade.
    Muito obrigado pela atençao, espero resposta.

    • Caro Leandro no serviço público as admissões são feitas via concurso, porém caso queira, voce pode enviar seuc curriculum a área de recrutamento e seleção, veja o endereço no site do DAEE.

  2. Olá Leiliane, tudo bom? Sou Felipe e faço um trabalho voluntario no CETAS – SERRA – ES, e conversando com o veterinario responsavel percebi uma falta de informaçao que derrepente voce possa nos ajudar… Aqui temos problemas com sindicato, os tratadores do CETAS ES estao sindicalizados no sindicado da saude, pois aqui no ES nao tem um sindicato que rege a funcao tratador de animais, nem domesticos nem silvestre. entao estou fazendo uma pesquisa para saber qual representante de outro estado para entrar em contato com ele e ver qual melhor enquadramento ele pode indicar aqui no ES. hoje os tratadores sindicalizados estao no sintrasades mas este sindicato é mais voltado a saude humana. Entao se for possivel que me enviasse o sindicato que seus tratadores sao filiados para que eu entre em contato vou ficar muito agradecido…
    Meu email é felipefanti@hotmail.com
    Desde já muito obrigado..
    Att
    Felipe Fanti

  3. Ola me chamo simonett sou de brasilia sou funcionaria publica ja me aposentando ,gosto muito desse tipo de trabalho, e tenho vontade de trabalhar com vcs, eu nao tenho esperiencia nessa area, mas quero trabalhar com vcs e gostaria de saber se teria uma oportunidade. sou de brasila mas posso me mudar para qualquer outra cidade
    Muito obrigado pela atençao, espero resposta.

    • Ola Simonet, infelizmente as funções para o serviço público estadual só podem ser assumidas após concurso público.
      Nem mesmo atividades voluntárias nesta área são permitidas, só mesmo com profissionais especializados.

  4. Olá Leiliane!
    Me chamo Cristiane Rocha, sou estudante de medicina veterinária da UESC, tenho muita vontade de trabalhar com animais silvestres, mas só tive poucas oportunidades de estagiar na área. Por isso gostaria de saber se é possível fazer parte do meu estágio curricular no meio do ano com vocês. Caso seja possível, o que devo fazer para fazer o estágio.
    Grata.

    • Cara Cristiane, obrigado pelo seu comentário. Oriento que os estagios para os órgãos estaduais, são realizados através de concurso realizado pela FUNDAP. Voce pode dar uma olhada no site deles,para ver a disponibilidade de vaga no DAEE – nesta área.

  5. Boa tarde Liliane;
    Meu nome é Alberto Dalla Costa Neto, sou Biólogo e estou assumindo a Diretoria do CRAS do Município de Araras onde estaremos inaugurando no mês de agosto deste ano juntamente com as obras de revitalização do Lago Municipal de Araras, e gostaria de conhecer o CRAS do Pq Ecológico do Tietê para verificar seus exemplos e procedimentos do dia a dia juntamente com o veterinário que será contratado neste nosso projeto. Agradeceria se nesta ocasião pudessemos contar com sua presença e ouvir de você suas impressões sobre esta nova empreitada que estou prestes a me envolver profissionalmente pois inicialmente estaremos recebendo Araras e Papagaios no viveiro de triagem.
    Agradeço a atenção e se puder me responder aguardo ancioso pois nosso tempo é curto e em breve já estaremos recebendo animais para iniciar os trabalhos no local.

    Atenciosamente

    Alberto Dalla Costa Neto
    Biólogo- CRAS Projeto Pró-Arara
    (19)9488-0630
    albertodallacosta@hotmail.com

    • Estarei passando seu e-mail pra Liliane, poder lhe dar odevido retorno.

  6. gostaria de saber, o que vcs fazem com as aves que estão pronta para voar na natureza? tenho um sitio na região de santa isabel com 2 alqueires, próximo a represa e muita mata tem muitas aves entre elas colerinha,bigodinho,pintasilva,tico tico,pássaro preto,trinca ferro; não vi canário da terra, seria possível a soltura dessa especie em meu sitio, moro no cangaiba se preciso irei pessoalmente. me responsabilizo pelas aves ninguém ira caçar

    • Repassamos sua duvida ao nosso centro de recuperação de animais silvestres. Aguarde a orientação.

    • continuo no aguardo poor gentileza.

      • Caro Roger a resposta a sua questão é não, pois as aves tem uma determinação de soltura que não abrange areas/propriedades particulares. Desculpe a demora, mas pensei que a área já lhe tivesse respondido.

  7. Olá, boa tarde! Gostaria de saber se algum trabalho parecido no Rio de Janeiro! Vejo muitos trabalhos de recuperação e tratamento de animais silvestres, porém a grande maioria em São Paulo! Grata!

    • vou repassar sua pergunta pra área ver se eles podem lhe orientar

  8. Boa noite sou funcionária pública do Intituto Biológico ligado a Secretaria da Agricultura e Abastecimento. Mas eu amo mesmo é cuidar e estar junto dos animais. Você sabe me informar se há alguma possibilidade de transferência para trabalhar com vocês?? Muito Obrigada! Talitha K. Sundfeld

    • Desconhecemos como isto funciona, nosso papel é so fazer as materias sobre as ações do DAEE.

  9. Boa noite, preciso muito de sua ajuda:
    Tenho um papagaio quase 20 anos e minha mae nao pode atende-lo como deveria devido problemas de saúde. Eu nao estou no Brasil e esse papagaio é como se fosse da familia, amamos muito a ele e gostaríamos de coloca-lo em liberdade, ou que pelo menos na sua velhice estive com outros de sua raça. Muitas pessoas pedem à minha mae que le dê mas somos contra porque nao sabemos como essa pessoa iria trata-lo, por favor me ajudem, preciso arrumar um lugar pra ele mas que seja de convívio com a natureza. Minha mae nao saí de casa para viajar por causa dele, eu nao consigo nem imaginar ele em outro lugar que nao seja conosco, mas infelizmente ele nao tem documentos e nao pode viajar, se eu tivesse uma autorizaçao para viajar com certeza cuidaria dele até o fim de sua vida, que eu faço? é possivel conseguir alguma autorizaçao? no centro de voces ele seria aceito? Espero uma resposta porque em breve estarei de volta e precisamos tomar uma decisao.

  10. Prezados senhores,
    meu nome é Nara , resido em Santa Catarina e me considero uma pessoa do mato, como referem-se popularmente aos que não se adaptam nas grandes cidades, multidões.
    Desde criança sempre lidei com animais domésticos e participei de vários trabalhos voluntários com animais. Gostaria de poder realizar trabalho voluntário com animais silvestres ( isto não é por luxo ou ego) e sim por ser uma sensação interna
    que não me da sossêgo ( ainda bem).
    Existe a pssibilidade de eu realizar este trabalho n CRAS ?
    Agradeço imensamente sua atenção ,
    no aguardo,
    Nara Guichon

    • Cara Nara agradecemos seu interesse pelo trabalho do CRAS, porém os estágios no DAEE são somente através de concurso público pela FUNDAP/SP.

  11. vcs cuida de animais domesticos também? quando se machucam/ sou encantada com o tratamentos aos animais dado por vcs

  12. olá, eu faço veterinária e gostaria de saber se ha estagio?

    • os estágios são realizados através da FUNDAP, você deve se inscrever lá.

  13. Ola boa tarde, gostaria de saber se há trabalho voluntário ligado a esses animais? faço biologia, tenho muita vontade de ajudar,.. fazer um estagio ou trabalho voluntário…. obrigada

    • Os estágios são realizados através da Fundap.

  14. Olá sou a Jenniffer estudante de Ciências Biológica. E quero parabenizar vocês pelo lindo trabalho,admiro muito cuidar de animais independente de qual seja, torço muito para chegar onde quero,para que eu também possa participar de mais um ajuda para os animais.

  15. Ola, eu moro em Valinhos e amo muitos os animais. Eu e minha família vivemos em uma chacara com 5000m2 e possuo cachorros (3), gatos (2), jabuti (1),pássaro (1),e um casal de papagaios. Vi a pouco tempo uma reportagem sobre a colocação de papagaios resgatados ou doados novamente na natureza. Achei este trabalho maravilhoso, pois mantenho os meus em cativeiro mas me sinto muito mal em te los assim. Ja pensei ate em solta los, sao tao lindos, grandes, sao muito fofos, mas sempre me disseram que eles nao sobrevivem. Agora vi esta reportagem e por isso estou entrando em contato, pensei em doa los para que voltem a natureza. Seria possível doa los a vocês para que seja feito com eles um trabalho de recuperacao, de preparacao para solta los?

    • Não, infelizmente o DAEE só trabalha com animais silvestres e não domésticos.


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